Carta à Veja sobre a entrevista do secretário da Educação

28/10/2009 at 22:42 7 comentários

Reproduzo, abaixo, carta enviada à Veja sobre a entrevista do secretário Paulo Renato nas Páginas Amarelas.

Senhor editor,
A entrevista do secretário Paulo Renato (Veja, 28/10) apenas confirma que o governo do PSDB no estado de São Paulo está mais preocupado em fomentar a “competitividade” entre os professores e aplicar receitas empresariais ao sistema público de ensino do que com a melhoria da qualidade de ensino para todos os estudantes das escolas estaduais.
O secretário culpa os sindicatos de professores pela queda na qualidade de ensino, como forma de fugir de suas próprias responsabilidades. Ele já foi secretário de Educação no governo Franco Montoro e ministro da Educação por longos oito anos, no governo FHC. Seu viés é sempre o da exclusão. Quando criou o FUNDEF, deixou descobertas as duas pontas da educação básica: a educação infantil e o ensino médio, concentrando recursos apenas no ensino fundamental, praticando assim uma política de foco. Esta é a forma como vê a educação.
Um projeto que exclui, de imediato, 80% dos professores de reajustes salariais e, ainda assim, não assegura que os demais 20% terão mesmo direito à melhoria salarial (pois depende de disponibilidade orçamentária) não vai contribuir para a qualidade de ensino e sim para gerar mais revolta e desestímulo na categoria. Os professores tem como ofício educar e sua ferramenta é a educação; e a educação não está sendo valorizada.
As posições externadas pelo secretário estão na contramão de todos os avanços que se tem verificado na educação nacional nos últimos anos. Por certo são ainda insuficientes, mas apontam na direção da escola pública de qualidade.
Por outro lado, é difícil entender como, num Estado democrático de direito, todo o espaço é reservado apenas para um dos lados, que se permite fazer juízos de valor sobre o sindicato, sem que nos seja oferecido espaço equivalente. O que queremos, em nome dos 178 mil associados da APEOESP, é que nos seja aberto espaço nesta revista para que nós próprios possamos expor nossas posições.
Não somos corporativistas. O que nos move é a qualidade da educação e a valorização dos profissionais que nela trabalham, pois a educação abrange bem mais que a relação professor-aluno em sala de aula. Entretanto, ainda que fôssemos corporativistas, o papel de um sindicato não é justamente defender os direitos e reivindicações da categoria que representa?
Aguardamos a publicação desta carta e a abertura de espaço para que possamos expor e defender nossos pontos de vista.

Atenciosamente,

Maria Izabel Azevedo Noronha
Presidenta da APEOESP
Membro do Conselho Nacional de Educação

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A educação pede passagem Mais R$ 4 bi para a educação

7 Comentários Add your own

  • 1. Outubro  |  29/10/2009 às 21:59

    Na boa, nem tô aqui para defender a veja, muito menos o psdb. Na minha opinião, só a meritocracia combinada com abertura de novas vagas em concursos pode melhorar o atual quadro da educação. Aumentar salário de quem está na ativa não resolve nada. O cara que é ruim, que falta direto, não vai melhorar se o salário dele quadruplicar. Isso só serve para os novos, daí a necessidade de novas vagas.
    E pros “encostados”, já que não podem ser demitidos, a única saída é deixá-los de fora de benefícios de mérito.

    Prezado professor,

    Políticas de mérito não podem substituir o direito de todos os que trabalham a salários dignos. Quando muito, podem ser um incentivo, desde que a base salarial seja justa. Pior ainda quando o governo limita os possíveis promovidos a “até” 20% em cada faixa. Pouquíssimos chegarão à última faixa, ainda assim, se forem sempre 20% a cada ano. Podem ser 15%, 12%, 1%,, qualquer quantidade, pois depende de cada governo.
    Acumulamos grandes perdas salariais e o governo não quer repô-las. Há condições de políticas de “mérito” numa situação como esta?

    Atenciosamente,

    Bebel

    Responder
  • 2. Fábio Galvão  |  30/10/2009 às 16:58

    Informa que o portal http://www.cgceducacao.com.br publicou uma nota sobre a carta. Também enviamos a carta para os blogs dos jornalistar Paulo Henrique Amorim e Luis Nassif. Também enviamos a carta para o Observatório da Imprensa

    Responder
  • 3. marcia  |  31/10/2009 às 23:56

    Presidenta
    Precisamos contar o que foi a municipalização,que acabou com a vida do professor.
    A nossa esperança está no nosso sindicato.
    Chegou a hora de falarmos tudo o que aconteceu no governo do PSDB.
    Acabaram com a nossa dignidade.

    Responder
  • 4. Prof. Djalma Ribeiro da Silva  |  05/11/2009 às 22:51

    Prezada Professora Izabel

    A Sra. prestou para a nossa classe um grande serviço, dando uma resposta à altura para está famigerada Revista Veja, sobre a também famigerada entrevista patronal do Economista Paulo Renato de Souza, que acredito que o mesmo nunca tenha atuado como docente em uma escola do Ciclo I do nosso estado. Vale lembrar que, nos idos tempos da ditadura militar nas Diretas Já, a trilogia FHC, Serra, e Covas e seus seguidores, visitavam os trabalhadores das empresas estatais em , que até em tão, para eles as mesmas não eram de sindicatos corporativistas!!!!. O Sr. Paulo Renato de Souza, fazia parte destes seguidores, e sempre ia em busca dos votos dos trabalhadores de sindicatos corporativistas. Quantas vezes o antigo MDB, visitou-nos na antiga Eletropaulo, na Rua Lavapés 463, para ali solicitar o apoio político do núcleo político Sindical dos eletricitários. E hoje no pedestal do poder , o mesmo esnoba as atuações dos militantes e associados de uma categoria sindical, que defendem os interesses de uma classe trabalhadora massacrada pela política liberal do PSDB.

    Responder
  • 5. Fabiano Joel Duarte  |  12/11/2009 às 14:00

    Acho uma pena que só alguns poucos tenham percebido que a desagregação e desestruturação do ensino público paulista tem sua origem na reforma feita no governo Mario Covas, tendo como secretária Tereza N. da Silva e o projeto político educacional do psdb está contido na reforma rrealizada a partir de março de 1995. É um projeto pedagógico fundamentado nos princípios neoliberais e ditados pelas exigências do FMI, do Banco Mundial e outros organismos internacionais. Como pode banqueiros e economistas internacionais e nacionais imporem reformas pedagógicas? Mas esstes organismos tinham como testa de ferro as pedagogas iluminadas da Usp: Terez da Silva, Penin, Guiomar N. Mello e algumas outras que se encarregaram de por em prática as orientações dos organismos internacionais. Em nível nacional, Paulo Renato, atualmente secretário da Educação de S. Paulo, por ordem das organizsações internacionais, impuseram a Lei de Diretrizes, lei fundamentada nas ordenações neoliberais, e do Consenso de Washington. Tudo isto foi imposto pelo presidente FHC.

    Responder
  • 6. guedes  |  22/11/2009 às 03:59

    Parabéns senhora bebel,pela sua resposta a essa revista que deve estar sendo comprada pra falar tantas besteiras Por que essa revista não vai às escolas ver como estar a situação, sem professor devido as novas leis do Serra, que só pensa em acabar cada vez mais com a educação de SP? Ficam os eventuais cobrindo matérias que não são da qualificação deles. Isso sem pensar nos alunos, na educação. Já começa errado pelo secretário, que não sabe nada de educação. Ele pode entender de economia. Como é que eles querem que a educação melhore com essas leis, os professores competindo uns com os outros, sem saberem se no ano seguinte vão estar trabalhando?

    Responder
  • 7. Allan Kardec  |  04/12/2009 às 19:05

    Meu protesto aqui não contra o sindicato, nem contra seus dirigentes e sim contra uma nova reorganização que não vejo levar a nada. Digo na questão desta avaliação a qual quem está readaptado é obrigado a participar sendo ACT no caso entendo que ainda tenho condições de ralizar esta prova já a fiz mesmo sendo invalidada alcancei um número expressivo de pontação mas penso na questão de alguns professores que já estão readaptados por não conseguir por motivos psiquiatricos responder a tais questões como quem já sofreu AVC e teve parte de sua funções cerebrais afetadas. Penso que deveria este sindicato esta avaliando tambem estes casos
    Allan Kardec

    Prezado professor,

    Encaminhe nome, registro, telefone e um resumo da situação para presiden@apeoesp.org.br. O secretário se comprometeu a estudar tratamento diferenciado para esses casos. O prazo para envio do e-mail é 07/12.

    Bebel

    Responder

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