Carta à Folha de S. Paulo sobre as declarações do secretário da Educação

10/02/2012 at 15:00 19 comentários

Encaminhei ao jornal Folha de S. Paulo a seguinte carta sobre a reportagem publicada na edição de hoje, 10/02, entitulada “Sindicato não liga para o aluno” (veja matéria abaixo):

Senhor editor,

É incorreta a informação publicada pela Folha na edição de 10/02 de que eu não teria sido encontrada para comentar as declarações do secretário da Educação, Sr. Herman Voorwald, de que a APEOESP não pensa nos estudantes. Eu própria tomei a iniciativa de ligar para o repórter e quando soube do que havia sido dito qualifiquei as insinuações de autoritárias, inoportunas e infelizes.

Talvez para aplacar sua própria consciência, tendo em vista o mau exemplo que dá à sociedade ao se recusar a cumprir uma lei federal, o Sr. Voorwald quer desqualificar a APEOESP. Nós lutamos para que seja aplicada na rede estadual a composição de jornada prevista na lei 11.738/08 (lei do piso salarial profissional nacional), ou seja, no mínimo 1/3 do tempo de trabalho para preparação de aulas, formação, qualificação, correção de provas e trabalhos, atenção ao aluno e outras atividades relacionadas.

Esclareço ainda que esta não é a jornada proposta pela APEOESP, que é de 50% em atividades na sala de aula e 50% de atividades extraclasses.

O secretário vem de outra realidade e não conhece a educação básica e a rede estadual. Se conhecesse saberia que a carga horária excessiva do professor em sala de aula causa dezenas de afastamentos por motivo de saúde todos os dias e prejudica a qualidade do ensino. Não se trata, portanto, de “questão pessoal”, mas de política educacional. Manter esta situação, isto sim, é não pensar nos estudantes.

Atenciosamente,

Maria Izabel Azevedo Noronha
Presidenta da APEOESP

FOLHA DE S.PAULO – Cotidiano (10/02)

Sindicato não liga para aluno, diz secretário

Após assumir a pasta da Educação pregando diálogo com docentes, Herman Voorwald enfrenta primeira divergência

Apeoesp foi à Justiça para que Estado acate lei que exige que 33% da jornada da categoria seja extraclasse

FÁBIO TAKAHASHI
DE SÃO PAULO

Em meio a uma disputa judicial sobre a jornada dos professores, o secretário de Educação do Estado de SP, Herman Voorwald, disse ontem que a Apeoesp (principal sindicato docente) “não se preo-cupa” com os estudantes.

Para ele, a proposta defendida pelo sindicato causaria falta de professores nas escolas estaduais, que ficariam menos tempo em aula.

“Não entendo como uma reivindicação pessoal pode se sobrepor ao interesse dos meninos [alunos], que precisam das aulas”, disse ele à Folha, na primeira entrevista desde o começo da batalha judicial, iniciada em janeiro.

Até a discussão sobre a jornada, a relação entre as duas partes tinha pouca tensão. O secretário assumiu a pasta, no início de 2011, pregando o “diálogo” com a rede.

A divergência agora está centrada em como acatar lei federal que exige que 33% da jornada do professor seja cumprida em atividades fora da aula (para preparar atividades ou correção de provas).

Para a gestão Alckmin (PSDB), é preciso transferir o equivalente a uma aula semanal para a carga extraclasse. Para a Apeoesp (filiada à CUT), são necessárias sete aulas -considerando docentes com 40 horas semanais.

A divergência ocorre porque os professores recebem por 60 minutos por aula, que dura 50. A pasta defende que os dez minutos de diferença devem ser considerados como jornada extraclasse. A Apeoesp, não.

O sindicato acionou a Justiça para por sua proposta em prática. Após posições judiciais divergentes, a secretaria está com decisão favorável provisória de segunda instância. O mérito da questão ainda será julgado.

No processo, a pasta afirma que a proposta do sindicato exigirá a contratação de 53 mil docentes imediatamente (a rede possui cerca de 200 mil).

A secretaria diz ainda que a Apeoesp, em 2006, reconhecia que a diferença de dez minutos por aula deveria ser computada como jornada extraclasse.

OUTRO LADO

A presidente da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, não foi encontrada ontem para comentar as declarações de Voorwald. Na terça, em seu blog, ela escreveu que a posição da pasta “é ilegal”.

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Não vamos aceitar! Umes-SP responde ao secretário da Educação e apoia APEOESP

19 Comentários Add your own

  • 1. Prof. Amélia  |  10/02/2012 às 16:17

    Prezada Professora Bebel

    Parabéns pelo trabalho.
    Seria interessante que pudessemos compartinhar os textos e as informações do site e do blog pelo facebook ou twiter. Esta seria uma maneira multiplicar as ferramenta de concientização tanto de professores como da sociedade.
    Penso também que deveríamos todos: sindicato e professores,expor nossas opiniõesnestes espaços , porém não deixar tratar as aoutoridades como governador ou secretário com as devidas honras nestes espaços virtuais para que o debate não “baixe o nível”. Precisamos fazer acontecer para que a sociedade volte a repeitar os profissionai da educação da maneira como a profissão merece.

    Prof. M. Amélia

    Responder
    • 2. apeoesp  |  11/02/2012 às 10:24

      Prezada professora Amélia,
      Muito obrigada pelo seu apoio. Estamos providenciando a solução técnica para que possa haver o compartilhamento dos textos.
      Bebel

      Responder
  • 3. Lurdes  |  10/02/2012 às 16:50

    Pois é, agora ele fica posando de bom patrão, mas os jornais precisam saber que nós não recebemos por uma hora, a apunhalada está sendo dupla.

    Responder
  • 4. gilberto  |  10/02/2012 às 18:12

    Bebel estive na audiência na alesp e achei extremamente importante o ato, gostaria muito de ver o secretário no dia 15 na próxima audiência, mas tudo indica que ele não irá. No próximo dia 15 de fevereiro, será realizado, na Escola Paulista da Magistratura (EPM), o evento “Qualidade na educação e desenvolvimento social: reflexões jurídicas sobre o programa Educação Compromisso de São Paulo”, onde ele estará com expositor.

    http://www.epm.tjsp.jus.br/Internas/NoticiasView.aspx?ID=13121

    Não teria como mobilizar algumas pessoas para participar desse evento, uma vez que será aberto ao público?

    Responder
    • 5. apeoesp  |  11/02/2012 às 11:55

      Prezado professor Gilberto,
      Muito obrigada pela informação. Vou discutir o assunto na direção do sindicato.
      Bebel

      Responder
  • 6. Fernanda Aguiar  |  10/02/2012 às 19:26

    Bebel

    A burocratização da luta, trazida pelo extenso calendário de mobilização abre espaço para esses comentários. A luta no âmbito da burocracia perde sua essência cuja espontaneidade de agir quando se faz necessário é característica primordial.
    Transcorrido uma mês e meio do ano letivo, enfraquece a capacidade de mobilização, e o discurso da SEE está sendo repercutido desde já.
    Está pronto, somos seres das profundezas do rio que queremos acabar com a infância das crianças! O sindicato tem o dever de defender a categoria indo para a luta nesse momento, não podemos nos conceder o privilégio de agir dentro da ordem estabelecida. O governo antecipou-se, optou pelo jogo sujo da calúnia e difamação, contam com o apoio dos grandes veículos de comunicação. Como é que nós travaremos uma batalha com tantos gigantes?
    A despeito de quem estava ou não presente no dia 08.02 na ALESP, o que de fato aconteceu foi uma ausência de mobilização do sindicato.
    Como a categoria confiará que a justificativa para um calendário tão extenso é a necessidade de mobilização?

    Responder
    • 7. apeoesp  |  11/02/2012 às 12:03

      Prezada perofessora Fernanda,
      Pressa não é sinônimo de mobilização e não somos nós que abrimos espaço para os ataques do governo. Eles existiriam de toda forma, pois estamos em rota de colisão pela sua recusa em cumprir a lei.
      O calendário não é extenso. Ele é necessário para que nossa greve seja forte e vitoriosa, sobretudo se consideramos o fato de haver o carnaval.
      Bebel

      Responder
  • 8.  |  10/02/2012 às 19:42

    É isso mesmo Bebel, chega de mentiras desse secretário despota e chega também dessa imprensa que não nos apóia em nehum momento.

    Responder
    • 9. apeoesp  |  11/02/2012 às 12:05

      Prezada professora JÔ,
      Muito obrigada.
      Bebel

      Responder
  • 10. Paulo Henrique  |  10/02/2012 às 20:53

    Bebel, parabéns pela sua luta….estou contigo.
    Porque não pagar um horário na mídia televisiva e mostrar esta situação? assim a população teria a oportunidade de conhecer ” a verdadeira valorização da educação segundo nosso governador”.
    lutar sempre, desistir jamais.
    parabéns.

    Responder
    • 11. apeoesp  |  11/02/2012 às 12:08

      Prezado professor Paulo Henrique,
      Muito obrigada.
      Os horários na televisão são curtíssimos e muito caros. Mesmo assim publicamos dois anúncios na TV Bandeirantes e no dia 14 publicaremos na TV Globo (Jornal da Globo).
      Bebel

      Responder
  • 12. Paulo Chacon  |  10/02/2012 às 22:38

    A APEOESP é o sindicato dos professores e como tal, tem como prioridade pensar nos professores. Quem tem que pensar nos alunos é o governo. Apesar disto, quando o sindicato luta pela aplicação da jornada do piso, onde os professores terão mais tempo para preparar aulas, planejar aulas, estudar, atualizar-se, o reflexo na melhoria do ensino é óbvio, o que trará grande benefícios aos alunos também.
    Só este (des)governo do psdb/serra/alckmin/fhc não enxerga isto, até porque estes demotucanos só pensam em economizar com a educação dos filhos da classe trabalhadora para desviar recursos para a iniciativa privada.

    Responder
  • 13. PROFº EDILSON  |  11/02/2012 às 00:41

    Presidenta e profª Bebel,
    É lamentável tal comentário feito por uma pessoa que deveria elogiar a APEOESP, a qual luta por um salário melhor para todos os professores e, consequentemente, os frutos de tudo isso será, também, para os alunos de todo o Estado de São Paulo. Professores bem remunerados significa alunos tendo um excelente proveito, aprendendo mais, já que teria professores com muita disposição para ensinar o aprenderam.
    Não devemos nos calar e ficarmos quietos. Vamos à luta. Vamos à greve….uma greve tal qual nunca houve…que bom seria que fosse em todo país…
    Onde já viu um secretário de educação não cumprir, ou melhor, desrespeitar um decisão do Juiz…é uma vergonha nacional…com essa atitude ele quis dizer: “aqui mando eu…”. Será que manda mesmo !? Jamais isso deverá acontecer…Fora secretário da educação…Só obedece ordens do seu amigo Geraldo Alckmin…Nós pensávamos que seria uma pessoa que ajudaria a educação….que nada…derruba a educação do Estado de São Paulo com a sua falsa prepotência…
    Vamos á luta Bebel ! Todos os professores que eu tiver a oportunidade de conversar com eles receberão o convite para aderir à greve…Não vamos desistir…Desrespeita a LDB e, consequentemetne, a constotuição do país no qual ele vive…e vivemos nele também…
    Nunca pensei em parar de lecionar, pois tenho um muito prazer em ensinar aos alunos o que aprendi dos meus professores. E olha que já recebi muitos convites para trabalhar em empresas !
    Greve já !

    Responder
    • 14. apeoesp  |  11/02/2012 às 12:16

      Prezado professor Edilson,
      Muito obrigada pelo apoio e pela contribuição. Autoritarismo e prepotência não vão nos vencer.
      Bebel

      Responder
  • 15. Edmilson  |  11/02/2012 às 02:23

    Estou cansado da profissão de professor… Amo a minha escola inclusive a direção, colegas professores e alunos ao qual vinha conseguindo dar total atenção de três anos para cá mais com o passar do tempo as aulas foram sendo reduzidas e com essa resolução 8 tive que completar em uma escola longe da minha casa o que desestruturou completamente a minha vida profissional e pessoal.
    A lentidão da justiça e as artimanhas da SEE estão matando aos poucos o resto de esperança que ainda tenho, pois a minha permanência em uma única escola me ajudou enormemente nos últimos três anos. A cada dia ando alimentando a ideia de exoneração, mas como preciso do ordenado de professor não vejo…
    Não tenho mais estimulo para dar aulas nem tão pouco de falar ou debater qualquer assunto sobre educação em sala de aula ou até entre os colegas… Infelizmente esse é o Estado que trabalha e não perde o foco!!! Uma coisa é certa!!! Temos que fazer alguma coisa para acabar com esse partido no nosso Estado!!! 20 anos no governo e não existe continuidade em nada no quesito educação!!! Fala que pensa nos alunos e na realidade só está pensando no quanto vai ter que gastar contratando mais professores!!! O Estado mais rico da Federação alega que não têm recursos para implantar a Lei do Piso é a mais absurda mentira que já ouvi na minha vida de professor sem falar que enfrenta a justiça como nos bons tempos da ditadura!!! Não sei dos colegas mais eu já comecei a politizar a minha família além dos meus parentes que concordam com o meu ponto de vista sendo que até um tio que era psdbista roxo já se aliou a mim.
    O PSDB acha que esqueceu que somos formadores de opinião e que ainda temos força para mudar muita coisa no Estado de São Paulo (Acho que por ter ficado por tanto tempo no poder do Estado se acha dono do mesmo e de todos “declarando” a Monarquia hereditária PSDBISTA). É tanta raiva aliada a pessimismo e frustração que não me aguento mais. Sei que é um trabalho de formiguinha mais que pode trazer um grande efeito caso outros também se aliem na mesma ideia.

    Responder
    • 16. apeoesp  |  11/02/2012 às 12:18

      Prezado professor Edmilson,
      Não devemos desanimar. A luta é árdua, mas é justa e nossos alunos precisam de nós, professores. A sociedade precisa da nossa disposição de luta e de nosso compromisso. Se cada professor conscientizar mais um, dois colegas, seremos um exército imbatível. Não deixemos o autoritarismo e a prepotência nos vencerem.
      Bebel

      Responder
      • 17. Fernanda Aguiar  |  11/02/2012 às 16:37

        Além da justiça, em qual outro campo de batalha está sendo travada a luta?

      • 18. apeoesp  |  12/02/2012 às 10:40

        Prezada professora Fernanda,
        Temos um calendário de mobilizações que culmina com nossa adesão à greve nacional de 14,15 e 16 de março com possível continuidade no Estado de SP. Há materiais sendo distribuidos para diálogo com pais, estudantes e população. Em 15/02 haverá audiência pública na Comissão de Educação da ALESP com presença da SEE. Temos ocupado todos os espaços possíveis na mídia, inclusiva com inserções pagas na TV. São algumas das coisas que estamos fazendo.
        Bebel

  • 19. Carl  |  12/02/2012 às 17:45

    Infelizmente grande parte dos professores são ingênuos, pois acham que temos uma imprensa séria. Aprendam professores: a grande imprensa governa junto com o psdb o Estado de SP há vários anos.Por que vocês todas as escolas estaduais de SP recebem os jonalões Estadão e Folha e também a Veja? Não é de graça.

    Responder

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