Os professores reafirmam seu compromisso e sua luta

12/10/2012 at 21:04 22 comentários

No dia do Professor, os profissionais do magistério tem muito que manifestar.

Primeiro, temos que reafirmar, sempre, nosso profundo compromisso com a educação de nossos estudantes e a qualidade da escola pública.

Mas temos que manifestar, também, nosso inconformismo com a desvalorização da nossa categoria, uma das mais importantes para a nossa sociedade e para o desenvolvimento integral na nação. Muito se fala da prioridade para a educação, mas nem todos os governantes levam esse discurso à prática.

No Estado de São Paulo, o mais rico da federação e que possui a maior rede de ensino, trabalhamos em condições inadequadas, com jornadas excessivas em sala de aula, superlotação das classes, assédio moral, violência dentro e no entorno das unidades escolares, baixos salários, ausência de programas de formação continuada para todos e plano de carreira que não atende às nossas necessidades.

Sem demérito a qualquer outra categoria profissional, assinalamos, a título de exemplo, que os funcionários do Metrô de São Paulo percebem salários médio de R$ 4 mil, enquanto a média salarial dos professores estaduais, em jornada de 24 horas semanais de trabalho, gira em torno de R$ 1 mil. Por isso, lutamos pela reposição de nossas perdas salariais e para que nossos salários sejam equivalentes às carreiras profissionais de formação equivalente.

Frente às dificuldades que encontram para o exercício da profissão e à desvalorização de que são vítimas por parte do governo, os professores hoje estão adoecendo cada vez mais. Dados de diferentes pesquisas, inclusive as que a APEOESP realiza, demonstram isto. Pelo menos 20% dos professores sofrem de depressão. Problemas de voz, rinite, tendinites e outras doenças relacionadas ao exercício profissional ocasionam pelo menos 82 licenças diárias na rede estadual de ensino, segundo dados publicados em 2010 pelo jornal Folha de S. Paulo, com base em dados oficiais.

O professor é o elemento central do processo ensino-aprendizagem. Por isto, o trabalho de um professor valorizado, que tenha condições de trabalho, jornada adequada, salários dignos, formação e carreira atraente terá repercussões positivas na qualidade do ensino. Para tanto, é essencial que os sistemas de ensino cumpram a lei 11.738/2008, que instituiu o piso salarial profissional nacional e determinou que no mínimo 1/3 da jornada de trabalho seja dedicado às chamadas atividades extraclasse (preparação de aulas, elaboração e correção de provas e trabalhos, formação continuada no local de trabalho e outras).

Hoje o professor da escola pública prossegue seu trabalho por opção, pois ele tem poucos incentivos para isto. Nossa carreira não atrai os jovens estudantes. O número de matrículas em cursos de licenciaturas vem se reduzindo ano a ano, o que é lamentável, porque pela mão do professor passam todos os demais profissionais do nosso país.

Mas, afinal, o que nos coloca de pé, em defesa da dignidade da nossa profissão, é a consciência que temos do profundo significado da nossa profissão. Trabalhamos muito, mas também nos manifestamos muito. Quem pagou para ver, viu. Porque não recuamos da luta em busca de respostas para todas as mazelas que atingem o professor e a escola pública.

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Quase 20% dos professores de São Paulo sofrem de depressão A quantas anda a segurança pública no Estado de São Paulo?

22 Comentários Add your own

  • 1. Regina  |  13/10/2012 às 05:04

    Hoje, venho aqui parabenizar uma pessoa, que luta, que não abaixa a sua cabeça e é guerreira. Essa pessoa é voce Bebel, sei que temos muitas lutas pela frente, várias vezes eu desanimei, quando me tornei categoria O depois de dez anos de trabalho, quando o meu salário foi descontado,e agora vejo o quanto você que está à frente desse sindicato se importa com o professorado e luta incansavelmente pela categoria, que as vezes em seu Blog tem que ler depoimentos que não ´são para elogiar e sim cobrar ou criticar. Hoje eu tiro o chapéu pra você que é professora como eu e muitos outros que buscam dias melhores para a EDUCAÇÃO. UM grande abraço e Feliz dia dos Professores.

    Responder
    • 2. apeoesp  |  20/10/2012 às 14:31

      Prezada professora Regina,
      Muito obrigada pelas suas palavras. Minha luta é a de todos nós. Vamos em frente. Não podemos baixar a cabeça, nunca.
      Bebel

      Responder
  • 3. Cicero d. de Oliveira  |  13/10/2012 às 12:01

    ” O MAIOR DESAFIO DO PROFESSOR NA ATUALIDADE É ENSINAR UM ALUNO QUE NÃO QUER APRENDER”FELICIDADES ATODOS OS MESTRES.

    Responder
  • 4. ROSANA  |  13/10/2012 às 15:00

    OI! BEBEL

    POR FAVOR VC JÁ TEM ALGUMA RESPOSTA ACERCA DA AÇÃO COLETIVA INGRESSADA PELA APEOESP REFERENTE AO “QUINQUÊNIO” E A “EVOLUÇÃO FUNCIONAL PELA VIA NÃO – ACADÊMICA?

    BEBEL AGORA SOU DA CAT. “O” E PERDI ESSES BENEFÌCIOS CITADOS ACIMA!

    OUTRO ASSUNTO QUE ME AFLIGE MUITO BEBEL È AÇÃO COLETIVA QUE ENTREI PELE APEOESP P/ REVERSÃO P/ CATEGORIA “F”(INGRESSADA EM 2009).SEI QUE A JUSTIÇA É MOROSA, MAS POR FAVOR RETOME ESTE ASSUNTO COM O JURÍDICO DO SINDICATO.

    MUITO OBRIGADA!

    Responder
    • 5. apeoesp  |  20/10/2012 às 14:29

      Prezada professora Rosana,
      Os três assuntos estão em trâmites judiciais. Quanto aos dois primeiros, ingressamos com recurso de decisões iniciais desfavoráveis. Em relação à mudança de categoria, infelizmente ficamos a mercê dos ritmos do judiciário, que inclusive variam de juiz para juiz.
      Bebel

      Responder
  • 6. johni perez  |  14/10/2012 às 01:51

    Olá presidenta,sou coordenador pedagógico em uma escola estadual se eu for cessado agora posso assumir outra escolacomo coordenador em fevereiro do ano que vem? muito obrigado

    Responder
    • 7. apeoesp  |  20/10/2012 às 14:21

      Prezado professor Johni,
      Não há impedimento. A decisão é da equipe escolar.
      Bebel

      Responder
  • 8. André  |  14/10/2012 às 05:01

    Parabéns a todos nós professores,mesmo sabendo que não somos valorizados pelo Governo do Estado!
    Bebel vc poderia me informar onde acho o documento oficial que fala sobre o tempo que o readaptado deve cumprir na UE,pois tenho uma prima que reside no interiorzão e ela trabalha como readaptada (carga de PebI) e a diretora faz ela cumprir 8h relógio por dia,lendo alguns comentários sobre a diminuição do horário do readaptado, gostaria de saber como fica o horário a cumprir ,para que eu possa informar pra ela,pois acho que ela está sendo lesada.

    Responder
    • 9. apeoesp  |  20/10/2012 às 13:58

      Prezado professor André,
      Obrigada em nome de todos os professores.
      Quanto à sua dúvida, por favor, entre em contato com o telefone 11.33506214.
      Bebel

      Responder
  • 10. prof. Juliana  |  14/10/2012 às 22:04

    O nosso compromisso com a educação é permanente e intensivo, embora não somos valorizados, mas a nossa luta continua. Parabéns a todos nesse nosso dia.

    beijos

    Responder
  • 11. Vilma  |  15/10/2012 às 10:10

    Bebel, bom dia,
    Grande abraço a você pelo dia do professor.

    Aproveito para perguntar sobre:

    “A sentença dos Juízes da 8ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo que negaram provimento a recurso do Estado que questionava a legitimidade da APEOESP para impetrar ação coletiva em nome de seus associados em relação à forma como vem sendo realizado o cálculo dos quinquênios, ou seja, apenas sobre o salário base e não sobre a totalidade da remuneração dos professores, determina que o pagamento, de forma correta, deve ser retroativo a 2001, com juros e correção monetária. Pela lei, a retroatividade é de 5 anos da data de ingresso da ação”.

    Responder
    • 12. apeoesp  |  20/10/2012 às 13:53

      Prezada professora Vilma,
      Obrigada. Parabéns a você e a todos(as) os professores(as).
      Quanto à decisão judicial, já ingressamos com recurso.
      Bebel

      Responder
  • 13. Camila  |  17/10/2012 às 03:34

    Bebel, boa noite!
    Talvez esse não seja o lugar adequado pra dúvida mas a angustia é muita!
    Entrei no Estado em março de 2011 e me formei na faculdade em julho de 2011. Tenho aulas atribuídas atualmente porém no meu holerite consta “professora de educação básica I” sendo que sou peb II. Isso está certo? Me informei e disseram que isso não interfee em nada, isso é verdade? Meu salário sofre modificações por eu constar como peb I e em todos os documentos do governo como DHRU eu ser PEBII? por que isso ocorre? ninguém sabe explicar.
    Att. Camila

    Responder
    • 14. apeoesp  |  20/10/2012 às 13:19

      Prezada professora Camila,
      Seu holerite deve estar de acordo com a função que realmente exerce. Envie requerimento à CGRH para que corrija. Se não ocorrer, procure o departamento jurídico da APEOESP na subsede da região.
      Bebel

      Responder
  • 15. Aparecido Jose Rosario  |  17/10/2012 às 13:48

    Bebel, o que você está sabendo sobre uma possível extinção de jornada do professor para o ano que vem?

    Responder
    • 16. apeoesp  |  20/10/2012 às 13:13

      Prezado professor Aparecido,
      Creio que você quis dizer redução de jornada, não? Sim, estamos em conversações com a SEE com vistas à negociação para a redução progressiva da jornada em sala de aula a partir de 2013.
      Bebel

      Responder
      • 17. Crazyseawolf (@crazyseawolf)  |  20/10/2012 às 14:13

        Não a redução, mas acabar possivelmente com a jornada de 12 aulas. A diretora do colégio em que trabalho mencionou que talvez ficaria apenas as três jornadas (40, 30 e 24), porque o estado está quase sem professor para determinadas disciplinas. Até onde isso poderia ser verdade?

      • 18. apeoesp  |  21/10/2012 às 04:18

        Prezado professor Crazy,
        Não há informação oficial sobre isto, mas o boato também já chegou até nós. Quando a informação for oficial,vamos discutir o assunto com as categoria e com a SEE.
        Bebel

  • 19. Danila  |  02/12/2012 às 17:24

    Bebel, gostaria de saber se o sindicato vai entrar com ação para que os ingressantes 2012 possam participar do artigo 22. Eu e outras professoras nos filiamos a Apeoesp p/ tentarmos a remoção via judicial, a mesma nos foi negada. Agora fizemos a opção de participar pelo artigo 22, nos próximos dias sairá o deferimento/indeferimento no Gdae, já sabemos que será indeferida. Como devemos proceder??

    Segundo o cronograma de divulgação da inscrição 2013 disponibilizado pela SEE, a ordem será essa:
    e)15 a 23-12-2012 – deferimento/indeferimento – Artigo 22 pela DE, no endereço acima mencionado;
    f) 02-01-2013 – divulgação da Classificação – Artigo 22;
    g) 02 a 04-01-2013 – prazo para interposição de recursos – Artigo 22;
    h) 02 a 04-01-2013 – deferimento/indeferimento dos recursos
    – Artigo 22, pela DE;
    i) 08-01-2013 – divulgação da Classificação Final – Artigo 22

    As nossa dúvidas são: Nossa inscrição sairá indeferida, então provavelmente nosso nome não constará na “divulgação da classificação dia 02-01-2013”, mas mesmo assim deveremos e o sistema aceitara a nossa “interposição dos recursos do dia 02 a 04/01???

    Como a “divulgação da classificação final” sairá no dia 08/01, essa liminar/ação terá que ser feita antes desse dia 08/01 para que se no caso for deferida pelo juiz nosso nome esteja na classificação final e assim possamos participar ???

    Devemos procurar a Apeoesp no dia 04/01, ou a liminar será coletiva ???

    É um período de férias será que vamos conseguir êxito nessa ação nos prazos estabelecidos ???

    Bebel, estamos muito preocupadas, por favor veja a nossa situação e nos de um posicionamento !!!

    Obrigada.

    Responder
    • 20. apeoesp  |  02/12/2012 às 23:27

      Prezada professora Danila,
      O sindicato vai ingressar com ação. Informe-se melhor pelo telefone 11.33506214.
      Bebel

      Responder
  • 21. Vagner Junior  |  02/12/2012 às 17:35

    Oi presidenta, tudo bem?
    Esse texto foi divulgado na internet antes das eleições municipais 2012, me identifiquei muito com a situação que essa professora expõe e diante disso gostaria de lhe perguntar, se você souber me responder. Por qual motivo algo que está na constituição (remoção, artigo 22) acaba não valendo diante de um decreto criado por José Serra, os advogados não podem argumentar que isso é lei e tentar mudar essa situação tão difícil. Nas pautas das negociações do sindicato com o secretario da educação não encontrei nada relacionado a essa questão, professores trabalhando a 200Km de suas casas ou mais, querendo voltar para a sua cidade. Conheço muitos casos, inclusive o meu, não seria algo para por em pauta e tentar negociar com o secretário? Entrei judicialmente e me foi negada a remoção com a desculpa de que “os alunos serão prejudicados pela rotatividade de professores”, mas no caso de tantos professores exonerando por estarem longe de suas casas, os alunos também não são prejudicados? O professor exonera e muitas vezes não tem eventuais para substitui-lo, ou seja, é algo só para atingir os professores então??? Difícil e triste de entender viu ?! SEGUE o texto, que achei bem interessante:

    “Isso é um desabafo… Quero antes esclarecer que não sou (mesmo!) partidária do PT, nem do PSDB, nem… coisa nenhuma. Eu até gostaria de ter um partido que me convencesse, mas está difícil…Agora… ver o Sr. José Serra, na TV dizendo que vai priorizar que os trabalhadores trabalhem próximos às suas casas para facilitar-lhes a vida, é de morrer de rir (ou de chorar de raiva!).Isso, porque, entre meus colegas, professores da Rede Estadual de Ensino, que se efetivaram em janeiro deste ano, certa de 60% já pediram exoneração. Um dos motivos: estão sediados em escolas 200 km, ou mais, distante de suas residências… E por decisão do Sr. José Serra, na época em que era governador de São Paulo, esses professores NÃO podem se remover durante o estágio probatório, portanto por três anos… Remoção é um instrumento legal, um direito no qual o professor pede transferência para outra escola, mas tem sido sumariamente negada para todos esses professores. O motivo? A SEE (secretaria da Educação) Alega que foi uma decisão de Serra, e eles não podem revogar…Pensem em uma professora com filhos pequenos, lecionando no período noturno, em uma cidade distante da sua, tendo que se arriscar na estrada ou num ponto de ônibus de estrada de madrugada… Não, não é o meu caso, por sorte consegui ficar em minha própria cidade e tenho uma situação, relativamente confortável, neste aspecto, mas conheço dezenas e dezenas nesta situação, em todo o Estado… E a SEE não arreda da decisão, mesmo com muitas súplicas…Por isso muitos são obrigados a exonerar de seus cargos, obtidos por mérito, legalmente concursado… O que prejudica não só o próprio profissional, como os alunos também.Alguém acha mesmo que o Sr. José Serra ou qualquer outro está se importando com o trabalhador? Ou… Professores não são trabalhadores??? Fica a reflexão!”

    Responder
    • 22. apeoesp  |  02/12/2012 às 23:25

      Prezado professor Vagner,
      O Direito Constitucional, infelizmente, é mais complexo do que imaginamos. O que ocorre é que não temos ainda um sistema nacional de educação e o regime de colaboração entre os entes federados não está regulamentado. Por isso, prevalece a visão, constitucional, de que os entes federados são “autônomos” para organizar seus sistemas de ensino, estabelecer as regras para o funcionalismo e outras disposições “administrativas” (que, sabemos, muitas vezes são políticas). Por isto, a cada vez que o Estado desrespeita direitos constitucionais, somos obrigados a recorrer à justiça para que dirima a dúvida e, muitas e muitas vezes, ganhamos as causas. mas é desgastante para os professores e até mesmo para o sindicato. Por isto lutamos pela construção de um sistema nacional de educação que estabeleça regras claras que valham para todos.
      Bebel

      Responder

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