A quantas anda a segurança pública no Estado de São Paulo?

15/10/2012 at 12:17 12 comentários

Responda com sinceridade: você sente segurança nas cidades paulistas?

Acredito que a maioria dos leitores responderá que não. A cada ano que passa nos sentimos mais inseguros, apesar dos discursos dos sucessivos governos estaduais de que darão prioridade à segurança pública, investirão no trabalho de prevenção à violência, na investigação policial e assim por diante.

O fato é que o crime organizado e o tráfico de drogas nunca estiveram tão à vontade. Apesar da superlotação das cadeias, a insegurança e a criminalidade estão visíveis para a toda a sociedade. Veja-se a recente onda de assassinatos nas cidades de Taboão da Serra Embu das Arte, por exemplo. O crime organizado volta a atacar e matar policiais. Qual tem sido a resposta do Estado? Mais violência, sem nenhum tipo de medida que transmita à população a sensação de que o governo está no controle da situação.

É muito preocupante que o Governador do Estado de São Paulo faça afirmações como “Quem não reagiu está vivo”, como uma autoproclamação do poder de vida e morte do Estado. Não é esta a postura que se espera, pois nesta guerra entre Polícia e bandidos quem perde é a população e o Estado de Direito.

A Polícia não existe para executar suspeitos ou promover tiroteios, como o ocorrido há poucos dias na estação Luz do Metrô, na capital, em pleno horário do rush. Quando a Polícia prioriza o confronto e não a investigação e prevenção da criminalidade, isto é sintoma de grande incompetência por parte do Estado, cujo aparato existe para proteger o cidadão e não para colocar vidas em risco.

Nós educadores, nos angustiamos com esta situação de descontrole da violência e da criminalidade, pois há muito elas já invadiram o ambiente escolar. De pequenos delitos de indisciplina, a situação evoluiu para agressões entre alunos e destes contra professores, ações de gangues e de traficantes dentro das escolas e todo tipo de situações que dificultam e muitas vezes inviabilizam o processo ensino-aprendizagem.

Não queremos a ação policial dentro das escolas, mas o Estado hoje sequer garante a segurança no entorno das unidades escolares, como é seu dever. Sabemos que a escola reflete a violência que está presente na sociedade e, por isso, acreditamos que as políticas públicas executadas nas comunidades, promovendo a saúde, moradia digna, lazer, cultura, cidadania, se refletirão na redução da criminalidade e, também, na redução dos casos de violência nas escolas. É preciso que o governo saiba combinar políticas de prevenção e repressão à criminalidade com políticas sociais voltadas para ampla maioria da população. Infelizmente, não faz nem uma coisa nem outra.

Dentro dos presídios, a omissão do Estado quanto aos direitos dos presos e a manutenção de condições precárias que tornam o cumprimento da pena um verdadeiro inferno são o combustível do domínio das facções criminosas sobre a população carcerária. De dentro das prisões o crime organizado continua a dominar, certamente com a conivência de agentes públicos corrompidos por essas organizações.

Há, porém, bons exemplos a serem seguidos, como o das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), do Rio de Janeiro. Além disso, o Estado de SP deveria investir, em parceria com os Municípios, na melhoria da iluminação pública das cidades, sobretudo nos locais potencialmente mais perigosos. O Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania), do Governo Federal, contém muitas propostas que o Governo de SP não aplica por divergências políticas. É preciso, por exemplo, investir mais na formação continuada dos policiais, no fortalecimento do policiamento comunitário, em parceria com os Municípios, no videomonitoramento integrado e uma série de outras medidas que podem funcionar como inibidores da violência e da criminalidade.

Enquanto o Governo do Estado mantiver a opção única pelo discurso conservador da força bruta e do confronto, voltado para satisfazer setores da mídia e uma minoria da população, vamos continuar assistindo impotentes ao aumento da criminalidade, ao fortalecimento do crime organizado, à proliferação de cadeias e presídios pelo interior do estado, sem que haja qualquer efeito prático para a proteção e a segurança dos cidadãos e das comunidades.

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Os professores reafirmam seu compromisso e sua luta Aprovada a destinação de 10% do PIB para a educação e a redução do número de alunos por sala de aula

12 Comentários Add your own

  • 1. Professor Xavier  |  15/10/2012 às 13:43

    Bom dia, presidenta.
    Gostaria de abordar um assunto que pode parecer fútil,mas que na verdade, não é.
    Com o fim da emissão dos holerites impressos por parte da SEE, ficou extremamente difícil para os professores comprovarem sua situação funcional e exigirem seus direitos à meia entrada em eventos culturais,cinemas,shows,etc (a quase totalidade dos estabelecimentos não aceita como comprovação a impressão do holerite retirado da internet). Diante do exposto,pergunto: seria possível abordar esse assunto na próxima reunião com o secretário???
    Em pesquisas na internet,descobri que existe uma resolução de 2005 que OBRIGA a SEE a emitir CARTEIRAS FUNCIONAIS para os professores (algo que NUNCA foi feito pela mesma). Seria possível abordar esse ponto junto ao secretário, fazendo o mesmo se comprometer a providenciar as carteiras funcionais que são de obrigação da SEE???
    Repito,presidenta,o assunto pode parecer “menor”, mas acredito que é algo importante, sobretudo para professores,como eu, que procuram acompanhar o maior número possível de eventos culturais,afim de ter subsídios e temas atuais e interessantes para abordar com os alunos.

    Grato pela atenção.

    Responder
    • 2. apeoesp  |  20/10/2012 às 13:49

      Prezado professor Xavier,
      Obrigada pela contribuição. Vou levar os assuntos ao secretário na próxima reunião.
      Bebel

      Responder
      • 3. Professor Xavier  |  21/10/2012 às 01:12

        Agradeço a atenção. Mantenha-nos informados sobre o assunto.Atenciosamente: Professor Xavier.

      • 4. apeoesp  |  21/10/2012 às 04:05

        Prezado professor Xavier,
        Sim. Manteremos.
        Bebel

  • 5. Sidclay Prazeres  |  15/10/2012 às 13:52

    Não há solução a curto prazo.
    É preciso investir na formação dos futuros políticos e cidadãos, e essa, é a missão dos educadores.
    Se buscamos realmente o reconhecimento e a valorização profissional, será preciso antes investir nessa geração, investimento individual, pois ao governo isso não interessa.

    Responder
  • 6. Luiz  |  15/10/2012 às 19:02

    Prezada professora Maria Izabel.

    Neste dia dos professores, veja reportagem importante sobre nossa profissão: (http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/2012-10-15/salarios-baixos-provocam-fuga-de-professores-da-carreira.html)

    Quanto a seu artigo, concordo em parte. São Paulo (estado e município) estão muito inseguros. Mas isso se deve mais à total inversão de valores e à “filosofia” nefasta de que a liberdade deve ser absoluta, sem fronteiras.

    “Filosofia” completamente descabida porque se alguém, por exemplo, tiver liberdade de lhe bater ou mesmo lhe eliminar porque não concorde com o que a senhora pensa, estaríamos voltando ao barbarismo.

    Não, as escolas precisam ensinar que respeito aos outros significa necessariamente que nossa liberdade é relativa. E que há pessoas que pensam diferentes de nós. A atitude de “demonizar” quem pensa diferente de nós, inclusive ideologicamente, é que deve ser eliminada por completo da sociedade. A atitude e não a pessoa, que fique claro. Aliás, são muitos os se dizem de esquerda que gostariam de ver o Brasil livre de pessoas com pensamento “tão retrógrado”, não é?

    Em relação ao artigo; conhecendo o RJ, o que lá acontece é apenas a explusão dos criminosos que, necessariamente estão indo para outros lugares. Os criminosos não vão deixar “suas profissões” de uma hora para outra.

    São Paulo, com aproximadamente 20% da população nacional possui 40% de toda a população carcerária do Brasil e, de acordo com estudos publicados no próprio site do Ministério da Justiça é a capital menos violenta. Tirando essa questão de marketing, SP tem pouco a aprender com o RJ.

    Então como explicar essa comparação SP x RJ? Que eu saiba, ainda não foi utilizado, e nem houve necessidade, de se utilizar de tanques militares para entrar em favelas paulistanas. Aliás, a senhora diz que não queremos a polícia militar em escolas e universidades, mas aprova que tanques militares entrem nas comunidades cariocas? Não é um pensamento contraditório? Esqueceu-se de visão tão prejudicial quando isso acontecia nos tempos da datadura?

    Se o governo do estado de RJ fosse comandado por um partido que não fosse da simpatia do partido de sua simpatia e se utilizasse de tanques, soldados e fuzileiros para “invadir” tais comunidades, aposto que haveria um artigo neste blog não seria nada a favor, e a “gritaria” da CUT e das esquerdas seria enorme. Isso é só para mostrar minha grande decepção com a falta de coerência no discurso de muitos. Tudo em nome do partido. Esse tipo de “pensamento” tem nome: totalitarismo.

    Discordo da senhora nessa parte do artigo. As UPPs ainda precisam provar seus benefícios. Por enquanto, o que temos é a retomada pelo Estado de um território pertencente a todos o brasileiros. Para ser claro: acho que a utilização de força militar para retomar território dominado pela bandidagem armada pelo contrabando bélico é legítima.

    Aqui a senhora também poderia abordar um outro fato em seu artigo: o contrabando de armas pesadas por meio de nossas pouco vigiadas fronteiras. É atribuição do Governo Federal não permitir tal contrabando, certo?

    A repressão ao contrabando de armas sufocaria a bandidagem nas favelas e facilitaria a atuação do Estado na retamada delas, e sem a participação de tanques!

    Então por que não há “artigos” cobrando o Governo Federal em fazer o seu trabalho?

    Responder
    • 7. apeoesp  |  20/10/2012 às 13:44

      Prezado professor Luiz,
      Sua manifestação é política e eu respeito. Você está defendendo o governo do estado de são paulo, utilizando os mesmos argumentos que o PSDB usa para “explicar” tanta insegurança. Ou seja, joga a responsabilidade para outros. Uso o exemplo do Rio de Janeiro porque ali está havendo uma ação efetiva, visível. É verdade que os criminosos estão se deslocando, mas a instalação de UPPs é progressiva e vai aos poucos “limpando” áreas inteiras. Isto é pior do que o que está acontecendo em SP?
      Você cobra o governo federal, mas o que se faz no Rio é em parceria entre governo federal e estadual. Por que o mesmo não ocorre em SP?
      Você diz que não há necessidade de tanques em favelas de SP. Ora, você vai negar que a população dessas comunidades vive aterrorizada com o domínio do tráfico de drogas, gangues, crime organizado? Está tudo uma maravilha em SP? Não há arrastões? Policiais não estão sendo assassinados? Não há tiroteios em locais públicos, não há chacinas, ação de grupos de extermínio? Parece que vivemos em estados diferentes.
      Bebel

      Responder
      • 8. Luiz  |  20/10/2012 às 23:32

        Não, não estou defendendo o PSDB. A senhora me deixou chateado com isso…
        Estou é dizendo que mesmo com a “parceria” do Governo Federal, o Rio – é um fato – ainda é mais perigoso e violento que em SP. É mentira?
        E nos demais Estados, alguns governados pelo PT. A violência é menor que em SP? Acho que não.
        A senhora não contraargumentou minha crítica ao Governo Federal. As armas que os criminosos possuem não são fabricadas no Brasil, vêm de fora. E de quem é a responsabilidade pela fiscalização fronteiriça?
        Sua resposta me deu a impressão de que o Governo Federal não investe em SP porque é governado pela oposição, sendo a saida a eleição de candidato aliado para que venha investimento. É isso? Não parece isso uma chantagem eleitoral?
        Eu também gostaria de saber a resposta para sua pergunta sobre o porquê o Governo Federal não faz parceria com o Estado. Eu só acho respeitosamente que a resposta não seja picuinha apenas do PSDB. A senhora, que é próxima a nossa Presidente, pode afirmar com certeza isso?
        Acho que SP está péssimo em segurança. Não vivemos em Estados diferentes não. Mas somos diferentes quando efetuamos críticas políticas. A senhora parece omitir os erros de pessoas ligadas ao partido de sua simpatia. Eu não, mesmo porque não me sinto “representado” por partido algum da atualidade.
        E a senhora também não contraargumentou sobre o erro filosófico “encucado” em nossa sociedade de que todos “têm liberdade absoluta para fazer tudo o que quiserem”. Esse é o grande erro.
        Na reportagem sobre a agressão de um colega por parte de um aluno na EE Brisabella, a senhora deu uma contribuição muito feliz, que me fez sentir realmente representado pela presidente do Sindicato: “Tem que ter punição. E a punição é, no mínimo, chamar o conselho de escola, dar advertência, chamar a família, cobrar da família, porque os responsáveis pela educação não são só os professores. Também são os pais”.
        Isso! Devemos sempre lembrar o pais disso! E devemos fazer funcionar a nosso (professores) favor o Conselho Tutelar, muitas vezes ocupado por pessoas que têm urticária de receber problemas desse tipo. Não é problema do professor corrigir alunos mau-comportados.
        E aqui está, respeitosamente, a grande diferença de pensamento entre nós: para mim a solução não é o PT. Somos nós mesmos.
        Respeitosamente,
        Luiz

      • 9. apeoesp  |  21/10/2012 às 04:10

        Prezado professor Luiz,
        Vico no Estado de São Paulo e, como cidadã paulista e presidenta de um sindicato que representa 230 mil cidadãos paulistas, mais suas famílias,manifestei-me sobre a situação de insegurança em que vivemos. Não estou fazendo uma discussão sobre a segurança pública em nível nacional ou discutindo comparações entre entes federados em matéria de segurança. Estou cobrando providências do governo estadual para o problema e discordando da linha do governador Alckmin, que se orgulha do estilo “exterminador’ que a sua polícia vem adotando. Apenas isto. Não vou relativiazar o papel do governo do Estado em matéria de segurança pública, que é obrigação estadual, com base em falhas de outrém.
        Bebel

      • 10. Luiz  |  21/10/2012 às 01:56

        Perdão pelos erros de português. Quando se usa o porquê como substantivo, deve-se tomar cuidado com sintaxe. O mais adequado seria “Eu também gostaria de saber a resposta para sua pergunta sobre o porquê de o Governo Federal não fazer parceria com o Estado”.

        Também há um erro de grafia. O correto seria “mal comportados.

        Grato,
        Luiz

  • 11. eduardo m. ribeiro  |  17/10/2012 às 21:16

    O descaso é total. O sr. Governador faz vistas grossas como se nada estivesse acontecendo. Um dos fatores é o baixo investimento nas áreas de saúde e educação, pois, contribuem, e muito, para a segurança pública. Deveria ser repensada a filosofia de passar de uma série para outra sem sequer saber interpretar um texto, fazer uma conta de porcentagem, dentre outras.
    Na área de saúde, também deveria haver um programa de controle de natalidade, sem a interferência das igrejas e de falsos moralistas. Quem tem dois ou tres filhos, ganhando menos de R$1.000,00 por mes, não tem condições de cuidar de si próprio, quanto mais de seus dependentes. Deve haver campanhas para vasectomia, independente da idade, mas sim do número de filhos. O professor está desestimulado, não somente pelos baixos salários, mas pela falta de apoio dentro das unidades escolares. ?Falta disicplinas aos alunos, pois eles fazem o que bem entendem em sala de aula. Usam telefone celular, fumam maconha, fumam narguile, etc. Isso com apoio dos pais, pois estes jogam o problema para os profissionais da educação resolverem.
    Um grande abraço a todos.

    Responder
  • 12. prof. Juliana  |  18/10/2012 às 00:16

    não me sinto segura , Bebel saiu o resultado da prova do mérito, que absurdo, poucos conseguiram , a dissertação a maioria das pessoas tirou 2,00, é ridículo.

    abraços,

    Responder

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