Contra o conteudismo escolar e seus testes

07/12/2012 at 09:24 9 comentários

O desejo de conteúdos mínimos só serve ao capital. Ensino não é prova. É democracia escolar, felicidade…

Por: Roberto Franklin de Leão – Folha de S. Paulo, 6/12/2012 – página três – Tendências e Debates.

Artigo publicado aqui simboliza pedagogia adestradora. O desejo de conteúdos mínimos só serve ao capital. Ensino não é prova. É democracia escolar, felicidade.

O empresariado da educação, que insiste em “cavar” espaços em todos os governos para proliferar suas teses falidas de qualidade total no ensino público, anda furioso com a reação da comunidade educacional brasileira ao nome de Cláudia Costin, que foi convidada a assumir a Secretaria de Educação Básica do Ministério da Educação (MEC).

Em razão da pressão social, Costin declinou do convite do ministro Aloizio Mercadante, fazendo sepultar assim a expectativa do empresariado de ver seus kits alfabetizadores e outros conteúdos pasteurizados de ensino espalhados por todo país. Eles davam como certo os novos lucros, e isso tem causado reação violenta do segmento.

No último dia 27, a Folha publicou um artigo com o título “Corporativismo, de novo, contra a educação”, do presidente do Instituto Alfa e Beto, senhor João Batista Araújo e Oliveira -ex-secretário-executivo do MEC na gestão Paulo Renato Souza/FHC e muito amigo de Costin.

Ele atacou sindicatos, universidades públicas e quem mais luta por uma educação pública de qualidade, que priorize a formação de sujeitos históricos (conscientes e independentes) e não só a reprodução de fazeres em benefício exclusivo do capital. Para ele, tais grupos formam oposição à educação do país.

Mas é preciso esclarecer a que educação o senhor João Batista se reporta, uma vez que ele participou da implantação do modelo neoliberal na educação brasileira e ainda hoje sobrevive da reserva de mercado criada à época para suprir a falta de investimento público em diversas áreas educacionais.

Apesar de combalido em todo mundo -e o povo brasileiro o tem rejeitado nas urnas, na última década- o neoliberalismo, defendido pelo Instituto Alfa e Beto do senhor João Batista, além de restringir direitos sociais e de transferir riquezas públicas a particulares, visa reproduzir nos sistemas escolares a ideologia dominante do capital, através de uma pedagogia reducionista e adestradora.

Os testes de proficiência, enaltecidos pelo senhor João Batista e que são a principal ferramenta de trabalho da senhora Costin à frente da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, nada mais são que métodos controversos voltados à afirmação sociocultural de uma política perversa de conteúdos mínimos -mitigadora do saber plural e da democracia escolar, na medida em que reduz o debate pedagógico a sistemas de apostilamento com foco em provas conteudístas e não na formação para a vida.

Do nosso ponto de vista, o objetivo da educação é conduzir as pessoas à felicidade.

Para aqueles que cumprem papel de capacho do capital em troca de valiosas retribuições financeiras, obviamente, é difícil entender, ou melhor, aceitar essa concepção educativa, que hoje é reconhecida até por quem desenvolveu os testes estandardizados nos EUA.

Trata-se de compreensão que motiva estudantes chilenos a irem às ruas protestar contra a mercantilização da educação em seu país. Ela tem orientado a maior parte da América do Sul, num futuro breve, a consolidar uma união balizada em valores socioculturais fomentados por sistemas de ensino plurais, democráticos e com outra perspectiva de avaliação -diagnóstica, reflexiva, participativa, não punitiva, indutora do saber.

Se for para ser taxada de corporativa e contrária à massificação da ideologia mercantil na educação e contra os testes que a sustenta, sem problemas. A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação até se orgulha dessa pecha!

Mas é preciso que todos mostrem a sua verdadeira cara e intenção nesse debate, que discutam as teses de forma aberta, pois educação, apesar de ser direito subjetivo e universal consagrado na Constituição, é um “bem público” em constante disputa ideológica e por financiamento (público e privado).

ROBERTO FRANKLIN DE LEÃO, 62, é presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Foi da direção-executiva da CUT Nacional e vice-presidente da Apeoesp (sindicato dos professores de SP)

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Audiência Pública com o Secretário da Educação: A saída é a mobilização!!

9 Comentários Add your own

  • 1. JOSE  |  08/12/2012 às 00:33

    Está ai uma pauta que a Apeoesp como Instituição deveria discutir, colocar em pauta a defesa da Escola Pública e criar um aparato para barrar a descontrução do nosso Sistema Educacional, rechassando pautas covardemente planejadas que tem a única finalidade de descontruir a educação e indiretamente o Professor, pararmos de aplaudir comentarios depreciativos em detrimento da Escola Pública, comentarios dirigidos a uma Instituição mas que na verdade tem a finalidade de atacar e manchar os seus componentes, ou seja, nos os professores.

    Qualquer estagiário de assessoria de imprensa, SABE QUE NOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO HÁ UMA PAUTA MALDITA PARA DESCONTRUIR A ESCOLA PÚBLICA, e muitas vezes nos, atirando em nossos pés, damos écos a isto, divulgamos e levamos o material para ser pauta em nossos HTPCs.

    Ou seja, estamos fazendo o serviço do nosso inimigo, nos envenenandos.

    isto que parece ao acaso e sem direção ESTA SENDO DIRIGIDO POR AQUELES QUE QUEREM SE APOSSAR DO NOSSO SISTEMA EDUCACIONAL E FATURAR ALTO.

    Responder
    • 2. apeoesp  |  08/12/2012 às 09:47

      Prezado professor José,
      Concordo com você. Os professores devem tomar em suas mãos os destinos da escola pública, coletivamente. Os espaços coletivos na escola, como o HTPC, devem ser servir para fazermos este e outros debates e definirmos estratégias de luta.
      Bebel

      Responder
  • 3. regina  |  09/12/2012 às 16:57

    Bom, um novo ano vai começar e com ele as agruras de sempre:
    * o diretor poder atribuir o que quiser para o professor, principalmente se este professor o “peitou” em alguma questão, no ano anterior, aí é a hora da “desforra”;
    * o horário que fica cheio de janelas não se ganhando por elas, e ainda respondem para você:
    _ué, vc tem ATPL, cumpra-o nessas janelas…
    * o diretor poder negar nossas abonadas;
    * não estabeler por lei a hora-aula do professor: apesar de nossa jornada corresponder a 40 horas, 30 horas, enfim… o nosso trabalho na escola, no que diz respeito a aula, ATPCs e fora da escola – ATPLs – giram em torno de 50 ou 45 min., pois essa tb é uma maneira de reconhecer a insalubridade da profissão;
    * o barulho insuportável que os alunos geram em sala de aula e no ambiente escolar, levando professores e funcionários a se afastarem de suas atividades por incapacidade psicológica de desenvolver seu trabalho;
    * entre outras coisas.
    São coisas que engessam os professores à tomarem certas atitudes.
    Os delegados que foram para Serra Negra, na V Conferência Estadual da Educação, voltaram com mil papéis – vários informativos de cada grupo da Apeoesp, com muito blá, blá, blá…, boletim LGBT, Consciência Negra -, nada a falar e a lista das coisas que nos atormentam maior que “capivara” de bandido.

    Responder
    • 4. apeoesp  |  13/12/2012 às 10:00

      Prezada professora Regina,
      Não creio que desqualificar a Conferência da APEOESP seja maneira justa de contribuir para a nossa luta. Muitos destes problemas foram lá discutidos e estão, sim, contemplados nas lutas que realizamos. Leia as resoluções da Conferência que serão publicadas em dezembro e ajude a mobilizar a categoria para a greve que estamos preparando para abril, de forma a sermos ouvidos e respeitados pelo Estado. Esta sim, pode ser uma grande contribuição.
      Bebel

      Responder
  • 5. ROSANA  |  10/12/2012 às 17:40

    OI! BEBEL

    POR FAVOR EM QUE DATA SERÁ PAGO O 13° SALÁRIO?O CATEGORIA O RECEBERÁ TAMBÉM?

    GRATA

    Responder
    • 6. apeoesp  |  12/12/2012 às 13:55

      Prezada professora Rosana,
      Deve ser pago até dia 20/12. Se não receber, procure o departamento jurídico.
      Bebel

      Responder
  • 7. Rogério  |  10/12/2012 às 23:36

    Ola Bebel, sei que não é o assunto do post, mas gostaria de perguntar se você sabe se o pagamento do mês de fevereiro referente a janeiro será pago normalmente para os professores categoria O que assumimos em fev. 2012, agente perde vinculo ou contrato no final do ano? Temos direito a férias esse ano ou ainda não? Desde já agradeço!

    Responder
    • 8. apeoesp  |  12/12/2012 às 13:42

      Prezado professor Rogério,
      Pela lei e pelo que vem sendo praticado, os contratos são prorrogados. Portanto, não deve haver interrupção de pagamento nesses casos.
      Bebel

      Responder
  • 9. dirceu  |  13/12/2012 às 19:28

    se nossos estudantes forem às ruas, como no Chile, (falta muita consciência política para tal) apanharão como eles e como nós professores.

    Responder

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