Estudantes faltam no primeiro dia de aula. Professores estiveram presentes.

02/02/2013 at 01:53 14 comentários

Pelo segundo ano consecutivo vigoraram na rede estadual de ensino as chamadas “férias repartidas”, divididas em 15 dias em janeiro e 15 em julho, mais recessos. A justificativa para esta medida foi a de assegurar “os direitos dos estudantes”, inclusive de ter o início de suas aulas no primeiro dia útil de fevereiro.

Concordamos que os direitos dos estudantes vem em primeiro lugar. Mas o que dizer de um calendário que prevê o início das aulas para uma sexta-feira? Pela experiência que todos nós, autoridades, gestores, profissionais da educação e pais temos, não é previsível que haveria um grande volume de faltas de estudantes neste primeiro dia de aula? Qual é o limite que separa a boa intenção de preservar os direitos dos estudantes e medidas meramente formais, que causam prejuízos aos professores, como neste caso?

Sim, porque, com a instituição das férias repartidas e a decisão de sempre começar as aulas no primeiro dia útil de fevereiro, os professores precisam voltar do recesso de janeiro antes do que seria realmente necessário se prevalecessem a flexibilidade e o bom senso na elaboração do calendário escolar.

Por causa do formalismo da Secretaria da Educação, a atribuição de aulas se iniciou em 23 de janeiro, quando poderia ter se iniciado mais tarde. No dia 25 de janeiro, feriado comemorativo do aniversário da Capital, a atribuição de aulas fica interrompida, tornando mais absurda a necessidade de os professores retornarem tão prematuramente. A SEE, por outro lado, não aceita utilizar sábados para o processo de atribuição de aulas, criando assim uma situação que constrange os professores sem que haja esta necessidade.

Em que pese todas estas observações, os professores apresentaram-se ao trabalho no dia 1º de fevereiro, porque são profissionais da educação e tem, eles sim, um compromisso fundamental com a qualidade do ensino e com os direitos dos estudantes. Cada professor e professora esteve em sua sala de aula e trabalhou com seus alunos, apesar do pequeno comparecimento.

Nós, professores, não enxergamos a escola pública por um viés formal, administrativo, frio, como parece ser o caso de muitas autoridades e gestores educacionais. Nós vivenciamos nas escolas um cotidiano rico, concreto e dentro desta realidade buscamos cumprir com afinco, dedicação e compromisso o papel social que nos está destinado.

Reivindicamos, sim, a manutenção de nossas férias ininterruptas em janeiro. Negociamos um meio termo e hoje temos parte de nossas férias em janeiro e parte em julho, com garantia de recesso. No dia definido para o início dos trabalhos letivos, estávamos nas escolas, prontos a cumprir com nossas obrigações, para as quais somos formados e às quais dedicamos nossas energias. Houvesse a Secretaria definido um dia mais adequado para o início das aulas, teríamos cumprido nossas tarefas com mais satisfação.

Este descompasso entre as necessidades e anseios do magistério e os ditamos do Governo Estadual chegou a limites insustentáveis. Reivindicações se acumulam sem que a Secretaria da Educação se prontifique a negociá-las. Temos direito legal a uma composição da jornada de trabalho que destine no mínimo 33% da carga horária para atividades de formação, preparação de aulas e outras atividades relacionadas ao trabalho de interlocução com os educandos, em sala de aula. Mas o Governo ignora a lei, assim como permite que nossos salários se deteriorem, mantém os professores da categoria O em condições precárias de contratação e trabalho, remove contra a vontade professores das escolas transformadas em unidades de ensino em tempo integral e outros abusos.

Frente a isto os professores, conscientes de seu papel, mas também conscientes de seu valor como trabalhadores e profissionais da educação, preparam-se para ir à greve. Mal remunerados, trabalhando em condições inadequadas e desrespeitados pelo Estado, não nos restou outro caminho.

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A tragédia de Santa Maria e a valorização dos serviços públicos “Quarentena” de 200 dias para fins de contratação do professor categoria “O” é inconstitucional

14 Comentários Add your own

  • 1. Vilma  |  02/02/2013 às 07:03

    Cara Bebel,

    A atribuição esgotou com os nervos até dos efetivos como eu, pois não temos o direito de escolha, na realidade, e nada nos facilita.
    Compartilho a insatisfação dos colegas que são de outras categorias e não têm direitos garantidos precisando trabalhar.
    Início de aulas numa sexta-feira pra cumprir um calendário exaustivo, sem alunos, claro, perda de tempo na escola, pois em pedagógico, nem se fala…planejamento só final do mês, que incoerência!
    No site da SEE diz que os alunos iniciaram o ano recebendo o kit escolar, outra piada.
    Começou a rotina de ficar sem almoço, emendar períodos, em suma, tudo é um circo onde nós somos marionetes…
    vamos á luta novamente…
    Abraços

    Responder
  • 2. Silvio  |  02/02/2013 às 20:49

    Bebel nem preciso comentar pois, seu texto está perfeito e acredito ser este o pensamento de cada professor em sala de aula…parabéns…e vamos a greve.

    Responder
    • 3. apeoesp  |  02/02/2013 às 21:06

      Prezado professor Silvio,
      Obrigada. É isso aí. Vamos à greve.
      Bebel

      Responder
  • 4. Daniele Lima  |  02/02/2013 às 23:01

    Pois é!! Tive 6 aulas no dia 1º de fevereiro! Quatro alunos foi o máximo que encontrei em cada uma das salas! E qual não foi a minha surpresa ao ver no diário de classe que terei em cada sala cerca de 50 a 52 alunos!! E ainda tive de ouvir da diretora na reunião pedagógica que 50 alunos só depende da “boa postura” do professor! Postura de professor pode ser cobrada em salas onde tenhamos o máximo de 30 alunos. Mais que isso vira histeria coletiva! Vou chamar o Superman para me auxiliar durante esse ano letivo! Só para esclarecer sou CAT O, portanto não terei direito ao INANSP e nem abonadas! Aliás, estou proibida até mesmo de adoecer! VOU PRECISAR MESMO DO SUPERMAN!!!

    Responder
  • 5. Priscila  |  04/02/2013 às 11:23

    Bebel,
    também dei aula no dia 1 e tive apenas 4 alunos na sala. Eu ter aulas já é uma surpresa pois a coisa mais rara é sobrar aula para cat. ”o” na minha cidade, só consegui porque as aulas são na cidade vizinha , e os cat.” F” não pegam aulas fora.
    Mas eu tenho uma dúvida, hoje quando fui assinar o ponto a secretaria me disse que o meu contrato tinha sido excluido, indaguei se não era devido as minhas aulas de P.A. do ano passado , ela disse que não, falou que os P.A.s continuavam com as aulas. Questionei então pq meu salário de fevereiro não estava previsto e ela disse que a informação que lhe foi passada é que os professores que tinham categoria ”v” no ano de 2011 tiveram os contratos excluidos e que eu teria que ser contratada novamente.
    A minha dúvida é relacionada a esse ”rolo”. O que a minha categoria ”v” tem a ver com o meu contrato como ”o”? eles não deveriam excluir apenas o contrato como ”v”? Não é justo eu ter meu contrato excluido porque eu fiz o favor de auxiliar o estado com o seu problema de falta de professores!!! O que devo fazer Bebel?

    Responder
    • 6. apeoesp  |  05/02/2013 às 11:42

      Prezada professora Priscila,
      A APEOESP está ajuizando mandados de segurança individuais em todos esses casos. Há muita confusão envolvendo os professores da categoria O. Por favor, procure o departamento jurídico na sua subsede.
      Bebel

      Responder
  • 7. luci  |  04/02/2013 às 16:30

    Boa tarde Bebel
    Por gentileza gostaria que esclareça uma dúvida sou OFA F não aprovada fiz 27 pontos na provinha e no ano DE 2011 atingi 32 pontos mas não tinha o tempo de serviço para soma, hoje saiu minha classificação somando com os 27 pontos feitos em 2012 e esta é minha duvida (NÃO SERIA PARA SER SOMADO A MAIOR NOTA DO CANDIDATO)?Desde já agradeço

    Responder
    • 8. apeoesp  |  05/02/2013 às 11:21

      Prezada professora Luci,
      Não. A maior nota é utilizada se ela tiver representado aprovaaaaação em concurso, prova de mérito ou na própria prova dos OFAs.
      Bebel

      Responder
  • 9. Prof. Carlos  |  07/02/2013 às 04:20

    Vou contar o que eu tenho visto: professores já desmotivados, muitas salas extintas (do noturno principalmente, mas do diurno também), alunos cada vez mais sem noção, desinteresse perceptível, falta total de perspectiva para a “carreira”, salário miserável sem correção, vale coxinha risível, injustiça na folha de salários (alguns ganham mais e NÃO são melhores em nenhum critério), etc, etc. Só podemos lamentar esses fatos. O sindicato, acho eu, nem sequer tem tomado conhecimento desses fatores que diminuem MUITO a motivação dos professores.

    Responder
    • 10. apeoesp  |  07/02/2013 às 11:11

      Prezado professor Carlos,
      Li e reli seu comentário tentando compreendê-lo, mas confesso que não consegui. Você diz que o sindicato não toma conhecimento dos fatores que diminuem muito a motivação dos professores e justamente cita aqueles fatores que devem nos levar a uma greve, que é a perspectiva que a APEOESP aponta para a categoria.
      A seguir seu raciocínio, deveríamos constatar os fatores que, na sua opinião, diminuem a motivação dos professores e não apontar nenhuma perspectiva de luta? Muitas vezes tenho a impressão de algumas pessoas comentam aqui sobre a desmotivação alheia para justificar porque nada farão. Para mim, a constatação da atual situação deve nos levar a lutar para transformá-la. Como faremos isto, senão nos unindo e nos mobilizando? Como expressar nosso descontentamento e nossa indignação, senão paralisando nosso trabalho e indo às ruas, para que toda a sociedade tome conhecimento do que estamos passando?
      Se um professor reclama da situação em que vive e, ao mesmo tempo, se diz desmotivado para a luta, preciso conversar com ele sobre esta contradição, para lhes dizer que a nossa motivação é a vontade de mudar o que está errado. Ou, então, não consideramos que as coisas estejam tão erradas assim.
      Pense nisso, professor. Cada um de nós, consciente da necessidade da luta, tem a responsabilidade de convencer os colegas de que mobilização, e não reclamação, é que pode mudar o quadro atual.
      Greve não vem com certificado de garantia, mas é a forma mais eficaz de luta quando não há espaço para diálogo e negociação.
      Bebel

      Responder
  • 11. Radones Ferraz  |  14/02/2013 às 04:03

    Eu APOIO A GREVE DOS SERVIDORES DA EDUCAÇAO 2013,

    Responder
    • 12. apeoesp  |  14/02/2013 às 11:09

      Prezado professor Radones,
      Parabéns pela sua tomada de posição. A luta é de todos.
      Bebel

      Responder
  • 13. suzana  |  14/02/2013 às 21:25

    Bebel gostaria de uma informação… Como efetiva q trabalha em outra DE, caso tenha problemas em horário eu posso abandonar a carga suplementar? o que ocorre se eu abandonar?

    Responder
    • 14. apeoesp  |  16/02/2013 às 11:10

      Prezada professora Suzana,
      Sim,pode, mediante justificativa. Informe-se melhor pelo telefoen 11.33506214.
      Bebel

      Responder

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