Controle da inflação não é igual a recessão

28/03/2013 at 18:29 5 comentários

Nos últimos dias os meios de comunicação e o chamado “mercado” agitam-se com expectativas sobre o que pode ser decidido sobre a taxa de juros na próxima reunião do Comitê de Política Econômica (COPOM) do Banco Central. Neste clima de nervosismo, que mistura interesses econômicos e políticos, a presidenta Dilma Rousseff foi envolvida na polêmica. Ela qualificou de “inaceitável manipulação” o noticiário sobre uma declaração que deu em Durban, África do Sul, sobre o assunto. A presidenta reclamou que os meios de comunicação tentaram fazer crer que, ao defender as políticas de crescimento econômico implementadas pelo governo federal e relativizar o papel da alta da taxa de juros, ela estaria minimizando a importância do combate à inflação.

Alguns órgãos de imprensa se dedicam a tentar massificar expressões como “pibinho” para qualificar o atual estágio da economia brasileira. Não é esta a percepção da população, nem de muitos analistas econômicos e lideranças das mais diversas áreas, inclusive do setor empresarial, no Brasil e no exterior. Nosso país continua a atrair investimentos, as empresas fazem planos para o futuro, a taxa de desemprego é a menor da história e, se o desempenho do Produto Interno Bruto não é aquele com que sonhamos, é positivo, consistente e com viés de alta, num mundo mergulhado em profunda crise.

Não pode haver uma discussão séria envolvendo crescimento econômico e inflação sem se levar em conta os interesses envolvidos.  Não há com realizar um debate “neutro”, como pretendem alguns colunistas. Para alguns deles, ao que parece, o Brasil deveria retomar uma antiga política econômica cuja diretriz era “esperar o bolo crescer para distribuir”.

A oposição entre combate à inflação e crescimento econômico com distribuição de renda, desconhece que a estabilidade vem sendo mantida ao mesmo tempo em que caminhamos para a virtual eliminação da miséria extrema no nosso país. Também desconhece que o Nordeste se transformou em polo produtivo, tornando realidade o sonho do povo nordestino de conquistar qualidade de vida sem ter que deixar sua terra e suas raízes. Políticas de distribuição de renda, combinadas com políticas industrial e agrícola e com a realização de um conjunto de obras para levar água à região (sendo a maior delas a transposição do Rio São Francisco) mudam a fisionomia do Nordeste e ajudam a alavancar o crescimento econômico do país.

As pesquisas do Datafolha e do Ibope, recentemente divulgadas, mostram o efeito dessas políticas sobre a população. Não apenas há aprovação e confiança no Governo Federal; há confiança no futuro. Não é necessário ser economista para perceber porque isto ocorre. O efeito da combinação entre melhoria salarial, empregabilidade e estabilidade econômica nas casas dos brasileiros é visível. Agora as famílias podem planejar o uso daquele dinheiro que sobra, realizando melhorias antes impensáveis para a maioria do povo brasileiro.

Muitos dos que hoje criticam a condução da política econômica esquecem-se da realidade que vivemos nos anos 1990, quando governou o Brasil o ex-Presidente Fernando Henrique Cardoso. Em nome da estabilidade e do combate à inflação, desindustrializou o país, abriu nosso mercado interno ao ingresso descontrolado de produtos estrangeiros, submeteu a nação aos interesses das grandes potências e imprimiu um ritmo recessivo à nossa economia. O resultado, de um lado, foi o crescimento do desemprego e da miséria e, de outro, contraditoriamente, o crescimento da inflação no final da década e início dos anos 2000. Os brasileiros não querem a volta deste tipo de política.

Obviamente não podemos desconsiderar a crise externa e seus efeitos. Há relativamente pouco tempo não poderíamos imaginar que países da Europa, como Espanha, Portugal, Grécia e outros viveriam situações calamitosas como as que hoje enfrentam. O remédio que aplicaram, seguindo a receita recessiva que muitos defendem para o Brasil, apenas agravou ainda mais o quadro.

O fato é que, no momento atual, não há descontrole na inflação. Ela se encontra dentro da meta traçada pelo Governo Federal e medidas tem sido adotadas para que não fuja do controle. Todos sabemos que a inflação corrói o poder de compra dos salários. Nós, trabalhadores, somos os primeiros a exigir que seja combatida. Fundamental, a preocupação com a alta da inflação não pode, entretanto, ser contraposta à necessidade do desenvolvimento industrial, agrícola, ao apoio à agricultura familiar, ao fortalecimento dos salários, à distribuição de renda, às políticas de emprego, às políticas sociais, à garantia de direitos da cidadania tais como a educação pública, saúde pública, moradia, cultura e outros.

Este é o Brasil que queremos e que estamos ajudando a construir e não vamos permitir uma volta ao passado.

Maria Izabel Azevedo Noronha
Presidenta da APEOESP
Vice-Presidenta da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação
Membro do Fórum Nacional de Educação

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5 Comentários Add your own

  • 1. Regina  |  02/04/2013 às 21:57

    Olá Bebel, sou cat. O e meu salário consta no site da fazenda desde o dia 29/04, porém até hoje dia 02/04 não aparece na minha conta nem como provisionado, verifiquei os dados da conta no holerite e estão todos corretos, tenho receio de não receber, o que devo fazer?

    Responder
    • 2. apeoesp  |  03/04/2013 às 15:01

      Prezada professora Regina,
      Não é possível nenhuma providência até que se confirme eventual não pagamento. Você deve aguardar, mas creio que isto não ocorrerá.
      Bebel

      Responder
      • 3. Regina  |  03/04/2013 às 22:21

        Obrigada Bebel, falei hoje com a gerente da minha unidade e ela me garantiu que fez tudo certo e que se houver algum problema deve ser com o meu banco, porém notei que na folha de pagamento não consta o digito da minha agencia, será que é isso?
        Mais uma vez agradeço a atenção que você tem conosco, não houve ocasião em que eu tenha precisado esclarecer alguma dúvida que não tenha sido prontamente respondida.
        Grata.

      • 4. apeoesp  |  05/04/2013 às 17:49

        Prezada professora Regina,
        Obrigada.
        Neste caso, creio que a melhor providência, neste momento, é procurar o banco para corrigir eventual erro.
        Bebel

  • 5. Jaqueline  |  04/04/2013 às 00:56

    Esse problema de não estar provisionado no Banco, acredito que seja problema do próprio Banco do Brasil, pois desde 01/04 o mesmo consta com problemas e várias reclamações na internet.

    Responder

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