Não ao machismo e ao preconceito no processo eleitoral!

06/10/2014 at 20:59 12 comentários

O jornal Folha de S. Paulo publicou caderno especial sobre as eleições no dia 06 de outubro. Na página 16, entre vários depoimentos, uma eleitora de Aécio Neves, moradora nos Jardins, em São Paulo, declara: “Votei no Aécio e no Alckmin. Eu acho que a mulher serve para muita coisa, mas os cargos de presidente e governador têm que ser exercidos por homens”.

Chocada, li e reli essa declaração. Estamos no século XXI, na principal cidade do país, uma das maiores do mundo e, no entanto, a pessoa que fez tal declaração nutre preconceito contra si mesma. E, assim, o machismo sobrevive e pode se fortalecer neste processo eleitoral.

Nós, mulheres, temos valor. Ele não nos é outorgado pelos homens, nem pelo sistema político. Nossos direitos foram conquistados ao longo de décadas, séculos de lutas, vitórias e derrotas. Somos maioria na sociedade brasileira. Podemos ser o que quisermos, de acordo com nossa vontade, nossas competências, nossa formação. Hoje temos uma Presidenta da República legitimamente eleita pela vontade do povo. Os cargos de Presidente da República, de Governador e qualquer outro não são privilégio de homens ou de mulheres, mas podem ser ocupados por qualquer cidadão ou cidadã desde que eleito e eleita democraticamente. Não existem profissões exclusivas de homens, nem funções destinadas apenas a mulheres. A sociedade é plural e sua diversidade deve ser respeitada e defendida como um patrimônio da civilização e da evolução política, cultural e social do nosso povo.

Não apenas a infeliz declaração da eleitora evidencia o machismo arraigado na sociedade brasileira e paulista. No decorrer da campanha, candidatos e apoiadores têm protagonizado seguidas e lamentáveis cenas de intolerância, chegando mesmo a incentivar, de forma quase explicita, atos de violência e homofobia, da mesma forma em que alguns candidatos não escondem seu inconformismo com o fato de nós, mulheres, estarmos conquistando espaços antes considerados privativos do sexo masculino.

Não podemos tolerar que se repitam as terríveis cenas que envolveram o candidato Levy Fidelix nos debates da Rede Record e da Rede Globo de Televisão Também não podemos aceitar a forma desrespeitosa e machista com que o candidato do PSDB, Aécio Neves, dirigiu-se à candidata do PSOL, Luciana Genro, dedo em riste, incomodado por ter sido questionado sobre o mau uso do dinheiro público para a construção de um aeroporto em MG para beneficiar a si e a sua família. Em Alagoas, um candidato a Senador desferiu um tapa no rosto de uma mesária por ela ter tentado impedir que ele furasse a fila de votação.

Da mesma forma, não se pode aceitar que líderes políticos, de ambos os sexos, refiram-se à Presidenta Dilma Rousseff para criticar-lhe a forma física ou seu jeito de falar ou de gesticular. Observações semelhantes não são dirigidas a homens que ocupam cargos públicos, demonstrando mais uma vez o machismo presente no processo político. O caso é mais grave por tratar-se da autoridade máxima da nação que, de per si, merece todo o nosso respeito.

Como mulheres e como educadoras, temos que ser exemplo de luta pela dignidade feminina, não permitindo ou aceitando que quem quer que seja ofenda ou ameace uma candidata, uma autoridade, servidora pública, trabalhadora ou qualquer outra pessoa pelo fato de ser mulher. Neste segundo turno da eleição presidencial, creio que também essa questão deve estar em pauta, não da forma enviesada como alguns querem evidenciá-la, mas como um dos pontos fundamentais da garantia da igualdade de gêneros e dos direitos básicos da cidadania a todos e a todas.

Na rede estadual e nas redes municipais de ensino de São Paulo nós, mulheres, somos maioria esmagadora. Nós podemos fazer a diferença no segundo turno dessas eleições, atuando e votando para reafirmar o orgulho de sermos mulheres, trabalhadoras, detentoras de direitos e capacidade para governar e para decidir nossos destinos.

Maria Izabel Azevedo Noronha
Presidenta da APEOESP

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12 Comentários Add your own

  • 1. Michelle  |  06/10/2014 às 23:10

    Convenhamos, a Dilma de santa só se for do pau oco. O fato dela ser mulher não tem nada a ver com as nossas convicções políticas, mas sim, a decisão de um voto tem mais haver com o partido pela qual a candidato(a) defende. Inclusive, a dela se chama PT, pela qual nos roubam descaradamente. Votar no PT é um insulto aos valores morais que meus pais e professores me ensinaram. Não compactuo com ladrões, quadrilhas, mensaleiros ou Correios. Infelizmente, vocês todos são convenientes com as roubalheiras.
    Fico triste pela Marina, essa sim é guerreira e com qualidades. Mas trocar Marina pela Dilma é um retrocesso. Passo longe.

    Responder
    • 2. apeoesp  |  11/10/2014 às 11:53

      Prezada professora Michelle,
      Não vou discutir opções pessoais. Lamento apenas que utilize esse espaço, no qual pretendemos discutir ideias, para ofender e desqualificar a Presidenta da República e todas as pessoas que nela votaram e votam. Respeito e a base de tudo, ainda mais em se tratando de educadores.
      Bebel

      Responder
  • 3. Magali de Cássia Merenda  |  07/10/2014 às 18:09

    É realmente um absurdo total. A força da mulher não está no físico, mas sim no seu caráter, dignidade, estudo e respeito por si mesma e pelos outros, independentemente do gênero. Essa mulher deveria ser alertada por amigos ou parentes desse pensamento tacanho o que provoca mais desrespeito com a mulher em nosso país.

    Responder
  • 4. Domingues  |  08/10/2014 às 17:32

    É UM ABSURDO O COMENTÁRIO DESSA CIDADÃ, EU NÃO LI NA ÍNTEGRA; MAS COMO PODE, EM PLENO SÉCULO XXI, EXISTIR PESSOAS COM ESSAS OPINIÕES MACHISTAS, SOU HOMEM; MAS A QUESTÃO AQUI NÃO É O GÊNERO ( MASCULINO E FEMININO) E SIM A CAPACIDADE POLÍTICA DE GOVERNAR O ESTADO OU A NAÇÃO. BOA TARDE A PRESIDENTE BEBEL.

    Responder
    • 5. apeoesp  |  11/10/2014 às 11:27

      Prezado professor Domingues,
      Muito obrigada pela sua contribuição. Esclarecimentos como esses são importantes.
      Bebel

      Responder
  • 6. Helyson  |  09/10/2014 às 00:50

    Oi Bebel, tenho duas funcoes d PEB II uma do concurso d 2010 e outra do concurso de 2013. Trabalho em duas escolas uma p cada cargo. E nas duas trabalhei pela justica eleitoral q requisitou os prediosna 6a feira (03/10) e no dia da eleicao (05/10). Posso utilizar as folgas nos dois cargos ou cada cargo suas respectivas folgas? Pq nao estao aceitando a folga d uma escola p outra dizendo q o posso usar em um cargo. O q faco??? Obrigado!!!

    Responder
    • 7. apeoesp  |  11/10/2014 às 11:23

      Prezado professor Helyson,
      Estranhamente, para determinados direitos o Estado considera apenas um dos cargos. Para informar-se como proceder, ligue para 11.33506214 ou procure o departamento jurídico na subsede.
      Bebel

      Responder
  • 8. Luciano  |  09/10/2014 às 03:22

    Se vc tivesse noçao da sua baixa popularidade com os professores, evitaria fazer campanha, pois muitos votarão em outro candidato, já que seu apoio prejudica os mesmos. Fora Bebel vc nao nos representa!!!

    Responder
    • 9. apeoesp  |  11/10/2014 às 11:06

      Prezado professor Luciano,
      Para se falar algo, é preciso ter informação e conhecimento de causa. Não é você ou qualquer professor individualmente que determina se eu ou qualquer outro presidente representa a categoria e sim a categoria. Ela já tomou sua decisão. Quanto ao artigo, você prefere atacar-me do que se pronunciar sobre o que está dito nele. Não é a postura de um educador. Lamentável.
      Bebel

      Responder
  • 10. Magali de Cássia Merenda  |  13/10/2014 às 16:55

    Prezada colega Michele
    É um direito seu não votar ou não se enquadrar nos programas do PT, porém, você fala em roubos e que seus pais e professores não a ensinaram dessa maneira. E tenho certeza que também não ensinaram a não analisar o governo estadual, que particularmente nos afeta e que tem mais descasos com a saúde educação e por aí vai, do que o governo federal. Acha justo os alunos passarem de forma automática(ou como essas aves dizem: progressão continuada). Infelizmente teremos mais 4 anos de recessão, abandono da educação, criminalidade avançada e etc.

    Responder
  • 11. Prof. Guilherme  |  13/10/2014 às 22:12

    Bebel, parece que a SEE está acatando a decisão em que os professores com os contratos de 2013 possam realizar a inscrição. No entanto, é um tanto quanto injusto para nós os remanescentes a ficar com sobras das atribuições. O que adianta ser aprovado em concurso e a preferência jamais será para nós. Por isso que o ensino está num caos. Quem de direito deveria estar em sala de aula está sendo deixado para trás por contratados. E o pior estará por vir quando de fato acontecer a terceira chamada sendo que estes ficarão desempregados por conta da entrada do efetivo. É o estado fazendo as coisas tudo errado.

    Responder
    • 12. apeoesp  |  18/10/2014 às 12:48

      Prezado professor Guilherme,
      Não tenho informação de que isto esteja ocorrendo. Entretanto, a APEOESP defende o direito desses professores que já pertencem à rede e ingressou com ação judicial para que possam se inscrever.
      Bebel

      Responder

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