Professores de SP recorrem mais à Justiça para tirar licença médica

10/11/2014 at 13:30 33 comentários

Número de processos quadruplicou em dois anos após secretaria ficar responsável por perícias

Neste ano, 546 casos pararam na Justiça; para sindicato, Estado tem negado folgas para maquiar deficit na rede

Folha de S. Paulo – 08/11/2014 – BRUNA MOZERDE RIBEIRÃO PRETO

Os pedidos de licença médica feitos por professores da rede estadual paulista à Justiça cresceram 301% em dois anos, depois que as perícias, que aprovam ou não o afastamento, ficaram a cargo da secretaria da Educação.

O dado é da Apeoesp (sindicato dos professores da rede), que, por meio do seu departamento jurídico, dá andamento aos processos.

A categoria acusa o Estado de negar injustamente a licença aos professores com problemas de saúde e dificultar a realização da perícia, agendando consultas em cidades distantes.

A secretaria argumenta que o foco desse modelo é “manter os professores nas salas de aula e garantir a qualidade do ensino”.

Em São Paulo, uma professora de geografia de 49 anos conseguiu, em maio, uma liminar (decisão provisória) na Justiça para continuar em casa. Ela pediu para não ser identificada na reportagem.

A professora está afastada há três anos por problemas psiquiátricos. Mas, desde o começo deste ano, a perícia rejeitou seis vezes seu pedido de licença. “Não tenho condições de voltar”, diz.

MUDANÇA

O novo sistema foi implementado em julho de 2013.

As perícias passaram a ser feitas pela secretaria e não mais pelo DMPE (Departamento de Perícias Médicas do Estado), que atende a todos os funcionários públicos.

Desde então, segundo a secretaria, o número de licenças médicas negadas de janeiro a julho de 2014 foi 156,08% maior que em 2013.

Já o índice de professores afastados por problemas de saúde caiu 35,9% no período.

Para o sindicato, o Estado tenta maquiar a falta de professores e os problemas enfrentados nas salas de aula.

“A violência nas escolas leva os professores a pedir afastamento”, afirmou Maria Izabel Azevedo Noronha, presidente da Apeoesp.

O deficit de profissionais na rede, segundo a entidade, chega a 30 mil. O governo nega que faltem docentes.

De acordo com o sindicato, em 2012, quando vigorava o antigo método de perícias, havia 136 ações na Justiça. Em 2013, passou para 358 e, em 2014, chegou a 546 casos –quatro vezes os de 2012.

Segundo a advogada do sindicato Cristiana Thozzi, 80% dos processos tiveram decisão favorável. As doenças mais comuns nas ações são transtornos psiquiátricos (estresse e ansiedade), problemas nas cordas vocais e problemas ortopédicos.

O sindicato também tem pedido à secretaria a remarcação de perícias agendadas em cidades distantes.

Uma professora de ensino infantil de São José do Rio Preto, de 49 anos, com esquizofrenia, teve de fazer a perícia em Presidente Prudente, distante 273 quilômetros.

“Tivemos de viajar para garantir que continuasse afastada”, disse Bartira Souza, 29, filha da professora.

OUTRO

Procurada pela reportagem, a secretaria de Educação informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o novo modelo de perícias foi implantado para que os professores sejam mantidos em sala de aula.

Também avalia que o novo sistema realizado pela própria secretaria “atende de maneira descentralizada e ágil” os professores e funcionários das escolas estaduais.

A pasta informou ainda que as perícias são agendadas “prioritariamente na unidade mais próxima da escola” e que os professores também “podem alterar o local e data dos exames”.

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33 Comentários Add your own

  • 1. Douglas C.  |  10/11/2014 às 15:07

    Por motivos que todos já temos ciência, vemos nossa profissão e categoria (e não categorias) a cada dia mais desvalorizada pelo Estado, alunos, família; em sua por grande parte da sociedade que muitas vezes acredita nos números que nada se comprovam diante da realidade das salas de aula onde o que encontramos é o desinteresse, a violência e a luta de poucos que desejam realmente dar o devido sentido a escola, gostaria de saber se existe algum fio de esperança para que seja solicitado por meio de processo judicial, uma intervenção real e legislativa que nos defenda, seja através da OAB ou outro órgão do judiciário que possa diante desta realidade temerária solicitar que se apresente de forma verídica a escola que se emaranha em burocracias que levam a um conjunto de mentiras como o fato de que há professores para todas as escolas e classes, que há qualidade no trabalho, que o salário é digno, que os alunos não estão apenas sendo jogados para o próximo ano sem o mínimo interesse no conhecimento, e sem a capacidade de respeitar o próximo. Que nós professores estamos como o Estado demonstra de maneira absurda “reclamando de barriga cheia”, que as avaliações não são meras máscaras que apenas servem para falsear a realidade calcada em números e não no conhecimento real. Creio que é chegado o momento de tomar medidas sérias, pois como vemos milhares de professores estão doentes e sendo impedidos de se cuidar, outros milhares estão fora das salas de aula “se virando para sobreviver”, poucos terão uma aposentadoria saudável, isso aqueles que chegarem a ela, e tantos outros, 11 mil ao menos, ficaram no limbo a espera de serem convocados para o cargo que se aprovaram, e melhor dizendo, serão chamados depois de todos, que para ver se desistem logo, para quando o Estado, tiver sugado os temporários e puder deixados de “molho” por 200 dias sem salário, “se virando” como puderem, já que não serão mais problema do governo, ai talvez se cumpra o último concurso. Por fim, temos que clamar por socorro, mas em uma instância com força maior e que garanta nossa dignidade e aplique a justiça, haja vista que o crime que agora cometem é com o futuro, não apenas nosso, dos professores, mas daquela parte da sociedade que clama por melhorias verdadeiras.

    Responder
  • 2. luzia ione chechi  |  11/11/2014 às 00:17

    Meus cumprimentos,Bebel.

    Gostaria de saber se há previsão de quando serão divulgados os classificados da prova de mérito realizada em agosto.

    Desde já agradeço a boa vontade em responder a todos os comentários.

    saudações!

    Luzia

    Responder
    • 3. apeoesp  |  15/11/2014 às 12:46

      Prezada professora Luzia,
      Ainda não. Eles tem que divulgar ainda durante este ano. Em anos anteriores ocorreu em novembro ou dezembro com pagamento retroativo do reajuste.
      Bebel

      Responder
  • 4. Prof Clovis  |  11/11/2014 às 07:17

    Bom dia, gostaria de comentários sobre a Resolução SE 53 de 2/10/2014, inclusive a possibilidade da atribuição por perfil das salas de RC e RCI.Obrigado

    Responder
    • 5. apeoesp  |  15/11/2014 às 12:44

      Prezado professor Clovis,
      Somos contra esse tipo de atribuição.
      No Boletim CER-RE de novembro, publicado em http://www.apeoesp.org.br no item “publicações”, você encontra uma análise resumida da resolução.
      Bebel

      Responder
  • 6. vera  |  11/11/2014 às 11:47

    Bebel, bom dia,
    OBS: Este relato é porque trabalhei por 22 anos sem tirar licenças e depois começaram problemas de saúde e percebo que sempre volto à sala, mas doenças retornam, não sendo possível permanecer no trabalho. E outros professores, em consultas, têm a mesma posição.

    Pelo que entendi, a SEE diz que negam licença para que professores permaneçam em sala e garantir “qualidade de ensino”. Mas, geralmente, não é o que realmente ocorre; pois professores com problemas de saúde, muitas vezes não tem como retornar e quando retornam, não conseguem se dedicar completamente ao trabalho. Ou seja, professores doentes podem até tentar continuar na sala, mas muitos não conseguem pois necessitam faltar para tratamento de saúde, etc… E não é por preguiça, e sim por necessidade, por terem que continuar trabalhando sem condições, por imposição, e não terem outra alternativa. Então, por quê a SEE continua com este diálogo? Será que Governo, SEE, DEs, Direção, Gestores,…, não percebem que tal imposição não garante a permanência do professor doente na escola? Será que não estão percebendo a realidade na educação? Com isto, onde está a tão falada “qualidade de ensino”? Por quê não tentam encontrar outra solução?, já que por negativas na perícia, não quer dizer que professores têm condições de retornar ao trabalho.

    Responder
    • 7. apeoesp  |  15/11/2014 às 12:41

      Prezada professora Vera,
      Você tem toda a razão. É absurdo forçar professores adoecidos a permanecer nas salas de aula. É desumano. O Conselho de Representantes da APEOESP decidiu que vamos realizar uma grande campanha de denúncia dessa situação. A sociedade precisa saber o que ocorre.
      Bebel

      Responder
  • 8. Rosângela  |  11/11/2014 às 14:42

    Não consigo compreender como o governo é contraditório ao afirmar que o foco desse modelo é “manter os professores nas salas de aula e garantir a qualidade do ensino’. Que se queira manter o professor em sala de aula não resta a menor dúvida.
    Mas ai vem a pergunta : Que qualidade de ensino se garante desta forma mandando voltar para sala de aula professores que não estão em condições de ali estar?. E, se tantos profissionais se afastam é, realmente, sinal de eu algo não vai bem.

    Responder
    • 9. apeoesp  |  15/11/2014 às 12:25

      Prezada professora Rosângela,
      Você tem toda a razão. É um contra-senso total. Nós vamos desenvolver uma grande campanha na sociedade para denunciar isto.
      Bebel

      Responder
  • 10. Prof Clovis  |  11/11/2014 às 19:22

    Boa tarde, tivemos a informação na nossa UE que a atribuição se dará nos dias 16 e 17/12. Como fica o ingresso dos aprovados no concurso PEBI? Obrigado

    Responder
    • 11. apeoesp  |  15/11/2014 às 12:15

      Prezado professor Clovis,
      A informação não procede. A atribuição de aulas serpa no final de janeiro de 2015.
      Bebel

      Responder
  • 12. Paulo Sergio Teixeira  |  12/11/2014 às 00:50

    Olá, Bebel………
    Passei bem no último concurso de SP, fiz todos os trâmites: exames, scanneamentos, fotos, postagens, prorrogação na assunção do cargo (pois não permitiram revisão de acúmulo, apesar de requerimento à DE-Santos……. Fui nomeado oficialmente em 03/06. Na demora, afinal saiu uma convocação de perícia que tive que fazer no INSS da capital……. Na mesma semana saiu o resultado de NÃO APTO, embora não tenham publicado nenhuma justificativa…….. Os telefones de repartição? “coisa de doido”….. Fui à apeoesp de Santos e a adv. orientou-me que fosse buscar a tal justificativa da perícia, de novo na Capital, p/ tentar ver se entrava com um recurso…….. Contratado pela prefeitura do municipio, pelo menos estou conseguindo pagar minhas contas, mas confe3sso que com o resultado das eleições em SP, fiquei bastante desanimado….. não tive nem coragem de ir…. A perícia, referia-se a minha situação de apciente psiquiátrico “tratado e em acompanhamento” que, por ter tentado esconder, atrasei uns 4 meses no processo do município com recursos, relatórios, novas perícias etc etc No Estado, que foi pouco depois, resolvi não esconder…. me dei mal……. Nossas leis que orientam a inclusão, me excluiu, mas sabemos que isso não é nem de longe a questão……. De qq. forma, cheguei a pensar na possibilidade de um recurso, mesmo que tardio, referente a essa posição do governo, pq, até onde alguns colegas referiram, estando eu periciado e contratado numa rede pública e podendo nossa classe a possibilidade de acúmulo de trabalho, eles não poderiam negar minha contratação por este motivo……… Sei lá, por favor, veja se é possível reverter essa situação….. Qq. coisa, (13) 9.8146.6165, ou pelo e-mail……… Grato….. Boa sorte a todos nós!! vamos precisar………

    Responder
    • 13. apeoesp  |  15/11/2014 às 12:10

      Prezado professor Paulo,
      Estou encaminhando seu relato para o departamento jurídico para examinem a situação e façam um contato com você.
      Boa sorte.
      Bebel

      Responder
  • 14. Thiago  |  12/11/2014 às 03:06

    Presidenta. Hoje ocorreu o Saresp, um dos principais meios de humilhação de nossa classe profissional. Em dois dias o nosso governo acha que pode avaliar nosso trabalho e tudo o que passamos na escola ao longo de um ano letivo inteiro.

    É humilhante termos bônus vinculados ao desempenho dos alunos no Saresp. Aliás, bônus é esmola para calar a boca de colegas que infelizmente são alienados e defendem esse governo que só prejudica a nossa classe.

    Gostaria realmente de uma mobilização para que fosse decretado, anualmente, greves para a semana do SARESP e quem sabe até ações judiciais para que proíba o governo de pagar bônus relacionado ao desempenho no SARESP…

    Torço para que essa aberração acabe, mas tenho ciência que só a conscientização dos professores poderá acabar com os desmandos desse governo. Infelizmente, parcela de culpa pela péssima educação em SP é um pouco nossa… Sei que existem esforços importantes, mas frequentar sala de professores e constatar a desmobilização de colegas é muito frustrante.

    Responder
    • 15. apeoesp  |  15/11/2014 às 11:54

      Prezado professor Thiago,
      Sim, é uma política não apenas humilhante para os professores, como contraproducente do ponto de vista educacional e pedagógico, na medida em que os sistemas de ensino vão sendo “formatados” em função deste tipo de prova.
      Nós, da APEOESP, somos contra esse tipo de avaliação. A própria criadora deste tipo de processo no Estado de Nova Iorque, Estados Unidos, Professora Diane Ravich, hoje é contra essa medida (pois viu os problemas que causa), escreve livros e percorre o mundo discutindo este assunto. Já tentei por duas vezes trazê-la ao Brasil, mas isto infelizmente não foi possível.
      Vamos manter a nossa luta. No dia 5 de dezembro vamos realizar um grande ato público na Secretaria da Educação para externar todas as nossas críticas às políticas do PSDB e exigir mudanças. Ajude a mobilizar a sua escola.
      Bebel

      Responder
  • 16. Miriam Bueno Amorim  |  14/11/2014 às 01:40

    Bebel gostaria de saber sobre a mudança na matriz curricular em 2015. O que vai mudar e quando será a atribuição?

    Responder
    • 17. apeoesp  |  15/11/2014 às 11:24

      Prezada professora Miriam,
      A atribuição de aulas está prevista para final de janeiro de 2015. Quanto a alterações curriculares, por enquanto saiu apenas pequenas mudanças no currículo das escolas de tempo integral. Não tenho informações oficiais sobre novas mudanças.
      Bebel

      Responder
  • 18. Katia  |  17/11/2014 às 09:59

    Bom dia Bebel!
    Gostaria de saber se o professor de categoria O pode pleitear uma vaga como coordenador de escola?

    Responder
    • 19. apeoesp  |  20/11/2014 às 14:04

      Prezada professora Katia,
      Creio que não, por ser temporário. Confirme pelo telefone 11.33506214.
      Bebel

      Responder
  • 20. E  |  17/11/2014 às 12:23

    Bebel,
    Sou professor em estagio probatório e um pai de aluno esta me processando porque enviei, fora do espaço escolar, mensagens via celular para seu filho.
    A escola quer abrir processo administrativo diante disso. Ela pode fazer isso, mesmo se nada ocorreu dentro do espaço escolar?
    Estou sem saber o que fazer, pois, não teve nenhum fato ligado ao espaço escolar.
    Obrigado e espero sua atençao!

    Responder
    • 21. apeoesp  |  20/11/2014 às 14:03

      Prezado professor E,
      Não tenho elementos para me pronunciar, se não conheço os fatos. Sua mensagem não é clara e somente traz indícios do que possa ter ocorrido. Você precisa de uma orientação jurídica. Sugiro que ligue para 11.33506214 ou procure o departamento jurídico na subsede.
      Bebel

      Responder
      • 22. E  |  21/11/2014 às 17:53

        O fato não diz respeito a nada demais…
        Não houve nada que levasse á direção a tomar essa providência!!!
        Acredito que meu profissionalismo não mudou e sei me portar como professor no ambiente escolar…
        Será que a ecola não deveria se ater aos fatos que ocorrem dentro do ambiente escolar, pois, nada ocorreu nem dentro e fora da escola.
        Meu profissionalismo sempre foi ilibado e muitos professores não concordaram com a atitude da direção que na realidade persegue muitos de nós…
        Agora sera aberto uma sindicância para analisar e estou sem nenhum amparo…
        Me ajudem! por favor!!!
        Obrigado

      • 23. apeoesp  |  22/11/2014 às 10:05

        Prezado professor E,
        Você só poderá ser ajudado se procurar o departamento jurídico na sua subsede e expuser os fatos com clareza, para que possa ser orientado.
        Bebel

  • 24. Amanda Soares  |  20/11/2014 às 06:32

    Prezada Bebel.
    Encontro me na seguinte situação: aulas atribuídas ao prof titular da cargo, afastado para PC, as mesmas aulas atribuídas ao prof categoria F, afastado para tratamento de saúde, essas aula foram a prof categoria O, afastada em licença gestante, e desde julho as aulas foram atribuídas a minha pessoa, quando peguei as aulas disseram que assim seria até que a 2ª prof voltasse, uma vez que a 3ª prof não podia tirar licença. Só que a 2ª professora aposentou e agora me disseram que eu perco as aulas assim que a 3ª professora voltar, isso está correto. OBS: a 2ª prof conseguiu 6 meses de licença gestante. No aguardo

    Responder
    • 25. apeoesp  |  20/11/2014 às 12:11

      Prezada professora Amanda,
      Sim, a professora em licença pode retomar as aulas quando voltar, se ainda durante o ano letivo. Informe-se melhor e oriente-se pelo telefone 11.33506214.
      Bebel

      Responder
  • 26. Ana Santos  |  01/12/2014 às 14:25

    Bom dia, Presidenta Bebel.
    Gostaria de iniciar o meu discurso, ressaltando que os professores usuários deste blog, deveriam fazer suas postagens por tema, pois vira bagunça quando cada um fala uma coisa e sobre assuntos que não competem a este local. Cada coisa em seu lugar.
    Estou aqui para desabafar no que diz respeito a uma das reivindicações do dia 5 de dezembro.
    Meu tema : “Pela garantia de licenças e atendimento médico para os professores doentes. A APEOESP vai realizar uma campanha cujo lema será; “Pelo Direito à Vida. Professor doente não consegue lecionar.”
    Desde que o Sr. Serra implantou a “guia on line”, as coisas estão além de complicadas, eu diria injustas. Vamos pensar, convido a todos os colegas leitores a fazer o mesmo. Não nos sentimos bem, estamos com esgotamento, cansaço mental, depressão, angústia, distemia, Transtorno afetivo bipolar, etc, etc… Muito bem. Vamos ao médico, ele nos ouve, observa nossas crises, nossos sentimentos até pela mudança na voz, enfim, é humano e nos concede o afastamento pela quantidade de dias que ele acha que deve, correto? Depois disso a perícia é agendada na escola, o sistema online não funciona, pois ele só não nos manda para a Amazônia, porque conhece os limites das divisas estaduais. Parece piada, mas é realidade. Pede-nos documentos, relatórios, receitas de medicação e ainda nos entrevista, sentimo-nos no banco dos réus, mas somos professores e temos direitos. Essa perícias realizadas pelo DPME são uma farsa. Uma verdadeira falta de respeito. Entre um periciado e outro, segundo a agenda, temos uma hora para o atendimento. Não é o que acontece. Eles nos colocam para fora em dez minutos. Não leem nossos documentos, quase não falam conosco, ouvem quase nada, a maioria nem olha na nossa cara e vai logo dizendo ” agora é só acompanhar o DOE”. Penso que temos o DIREITO DE SABER O QUE ELES ESCREVEM SOBRE NÓS E VOU ALÉM, TEMOS O DIREITO DE UMA CÓPIA DESSE REGISTRO PARA LER E ASSINAR, verificando se foi o que realmente dissemos ao ser “sabatinados”. Não me oponho a falar, muito menos a mostrar a minha documentação, pois sei o que estou sofrendo, mas quero ser atendida com decência, é o mínimo que posso reivindicar como ser humano, não máquina, até porque as máquinas têm uma vida útil muito inferior ao ser humano. O governo Estadual não nos assegura tratamento de saúde, tempo hábil para isso e ainda nos dá a maior canseira, o que nos adoece ainda mais, quando negam aquilo que desconhecem fazendo-nos entrar com reconsiderações, recursos e afins. Esse absurdo tem se estendido para distâncias absurdas a serem percorridas. quando não se tem condução própria temos que dormir em hotéis por não ter como chegar no local e horário marcados e temos CUSTOS ELEVADOS com TRANSPORTE, PAPELADA, POSTAGENS, VIAGENS PARA AGENDAMENTO, VIAGENS PARA SER PERICIADO. Não aguento mais essa situação. Se o Sistema é online , por que todo o nosso histórico não está em acesso a todos os DPME e respectivos peritos? a minha perícia de hoje, 1 de dezembro de 2104, foi ANOTADA NUM CADERNO BRUCHURA DE CAPA DURA. Pelo amor de Deus, isso precisa de um fim, ou de uma solução digna. Nós precisamos ser respeitados e ter os nossos afastamentos concedidos não por preguiça, mas por necessidade. Temos que ter direitos respeitados, acesso ao que respondemos e não podemos ler e assinar. As publicações no DOE são lentas, ora, mas não são informatizadas? O que justifica essa lentidão? Quem é que está realmente trabalhando de maneira séria? Não se brinca com a saúde, gente !! Onde isso vai parar?
    Essas são as minhas reivindicações e questionamentos se encaixam na campanha de cujo Sindicato se propôs, ou seja, professor doente não consegue lecionar. Acrescento que um Governo explorador, que não cumpre Leis, mas aumenta as resoluções para nos desfavorecer, jamais estará preocupado conosco e isso precisa mudar. Chega de baixar a cabeça e deixar nossa profissão e direitos desmoralizados, afinal não somos gado marcado que vai, em fila, para o mangueiro.

    Responder
    • 27. apeoesp  |  01/12/2014 às 19:20

      Prezada professora Ana Santos,
      Muito obrigada.
      Suas sugestões foram anotadas para que possamos analisar e incorporar à campanha e nos contatos com o Secretário da Educação e outras esferas do governo. São questões e sugestões pertinentes.
      Bebel

      Responder
  • 28. vera  |  04/12/2014 às 12:07

    Bom dia, Bebel,
    É o que ocorre conforme depoimento da Ana. Já te enviei o conteúdo abaixo pelo seu e-mail em 19/11, mas também comento aqui caso não tenha recebido:

    Pertenço a DRE-Leste 2, mas em 21/10 minha perícia foi marcada para DRE-Centro para dia 03/11/2014 às 9h.
    Cheguei lá aproximadamente 7:30 e fui atendida aprox. 10:40hs.
    A médica perguntou o que estava ocorrendo; e quando comecei a relatar muito nervosa, tontura, ansiada, chorando, pressão alta,… pelos motivos que minha licença trata de caso “psiquiátrico”; a médica disse não estar conseguindo acessar meu agendamento e chamou um funcionário; o mesmo disse que todos lá estavam com problemas no sistema. Então, a médica disse que faria manual. Ela perguntou novamente o que eu tinha e começou a digitar em algum outro lugar e em algumas vezes pedia para eu esperar um pouco e relatar novamente alguns fatos (me parecia que estava escrevendo somente alguns). Perguntou se eu era readaptada. Eu disse que não e que estava em sala tentando trabalhar, mas agora não estava conseguindo, e não adiantava ficar forçando pois não estava bem de saúde (muito irritada, nervosa, ansiedade, dores de cabeça, tremor, pressão alta, entre outros sintomas). Questionou se tive uma recaída, que remédios tomava (falei também de outros). Ela disse que ficaria com o atestado; então, perguntei se não queria as receitas; mas, ela disse que por enquanto ficaria só com atestado e pediu para aguardar publicação.
    OBS:Como eu disse acima, ela fez algumas anotações em outro lugar, mas não no meu prontuário eletrônico/sistema.
    Como achei estranho o que ocorreu na hora da perícia (de manhã); a tarde do dia 03/11/2014 entrei no site DPME e meu comprovante de agendamento ainda constava lá em aberto. Pensei, mas, como? se eu já tinha passado na perícia de manhã? Alguma coisa estava errada. Será que os médicos peritos que nos atendem, realmente nos levam a sério? Tem conhecimento das doenças que estão periciando? São eles mesmos que dão o parecer final se a licença será aprovada ou negada? Ou recebem outras orientações? Como sabem o que realmente temos?
    E os atestados que nossos médicos declaram que necessitamos de licença e CID; não tem credibilidade? Acredito que se os médicos que sempre nos acompanham nos consultórios, estão atestando o motivo, é porque sabem de nossos problemas da saúde e da necessidade do afastamento.
    Enfim, em 18/11/2014 liguei para escola e informaram que minha licença havia sido negada e foi publicada em 15/11/2014. Quando consultei, constava N.DIAS: 0. Como pode? Se minha licença iniciava em 20/10/2014; a perícia foi em 03/11/2014 e foi publicada em 15/11/2014 (Negada)? Não poderiam dar os dias até a publicação? Agora, mais um transtorno, pois terei que recorrer ao DPME. E ainda para piorar, na semana quando fiquei sabendo da negativa, tentei marcar meu médico novamente para licença, mas como ele está de férias só voltará em 05/12. Também tentei outros médicos, mas encima da hora, foi difícil consulta imediata. Por fim, nesta semana, em 01/12/2014 consegui passar na psiquiatria no HSPE. Então, vejam só os transtornos ocorridos, não retornei ao trabalho por não estar bem, para não tirar o professor que está com os alunos e depois ter que afastar novamente; e também porque estou de licença na Prefeitura.

    Responder
    • 29. apeoesp  |  06/12/2014 às 12:26

      Prezada professora Vera,
      Casos como o seu tem se tornado muito comuns, razão pela qual iniciamos uma campanha denominada “Pelo Direito à Saúde: professor doente não consegue ministrar aulas”. Desde que a SEE assumiu as perícias médicas, o número de ações judiciais por meio da APEOESP aumentou mais de 300! E tamos ganho cerca de 80% delas. Querem obrigar os professores a trabalhar doentes. Um absurdo. Queremos que as perícias médicas voltem para o DPME.
      No seu caso, você deve fazer o recurso e, caso negado, o pedido de reconsideração. Mesmo assim, se não conseguir, deve procurar o departamento jurídico da APEOESP para ajuizar ação judicial.
      Boa sorte.
      Bebel

      Responder
  • 30. Patricia Alcântara  |  01/08/2015 às 19:36

    Sou professora efetiva desde janeiro de 2005, leciono em uma escola na periferia de Osasco, sofro de sérios problemas psiquiátricos, o recurso da minha licença de 60 dias foi negado hoje, estou desesperada, não sei o que fazer, me sinto totalmente transtornada, será que corro o risco de ser exonerada, descontarão meu salário todo de uma vez, posso fazer alguma coisa para reverter a situação, quem puder me ajudar, peço por favor, serei eternamente grata.

    Responder
    • 31. apeoesp  |  02/08/2015 às 13:21

      Prezada professora Patrícia,
      Você pode ainda pedir reconsideração ou ingressar com ação judicial. Por favor, procure o departamento jurídico na subsede de Osasco (Tels.: 3684-0495 / 3685-3596) ou ligue para 11.33506214.
      Boa sorte.
      Bebel

      Responder
      • 32. Patricia  |  02/08/2015 às 22:21

        Boa noite, Bebel, muito obrigada por sua atenção, entrarei em contato amanhã mesmo, estou desesperada, ainda bem que você respondeu. Fique com Deus. Patrícia.

  • 33. Patricia  |  02/08/2015 às 22:20

    Boa noite, Bebel, muito obrigada por sua atenção, entrarei em contato amanhã mesmo, estou desesperada, ainda bem que você respondeu. Fique com Deus. Patrícia.

    Responder

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