Ao atacar lideranças da greve dos professores, Diário de S. Paulo blinda Governo do PSDB

21/04/2015 at 17:23 9 comentários

Fui procurada hoje, 21 de abril, por um jornalista chamado Eduardo, do jornal Diário de S. Paulo, que está preparando uma matéria para partidarizar a nossa greve. Não me recordo de ter sido entrevistada anteriormente por este repórter.

Diz ele que pesquisou na direção executiva da APEOESP, composta de 35 membros, a existência de 23 filiados do Partido dos Trabalhadores. Citou também outros partidos. Confesso que nunca fiz essa verificação, pois isto não tem absolutamente nada a ver com a nossa luta.
Estranhamento, o repórter não me fez qualquer pergunta sobre a nossa pauta de reivindicações ou sobre a recusa do Governador em negociar com a nossa categoria.

No meu caso ele não precisaria realizar nenhuma pesquisa policialesca, pois nunca escondi minha preferência partidária, já que isso não constitui nenhum crime. Da mesma forma, muitos outros companheiros e companheiras do PT e de outros partidos não escondem suas preferências. O que isto significa? Uma caça às bruxas?

Na APEOESP não exigimos atestados de filiação partidária para que um professor ou uma professora se associe ou para que sejam representantes de escolas, membros dos conselhos regionais, do Conselho Estadual de Representantes ou, ainda, integrantes de sua diretoria.

Nosso sindicato possui uma diretoria plena composta de 120 membros, pois somos uma entidade muito grande, com 93 subsedes em todas as regiões do estado. Curiosamente, o citado jornalista não se preocupa em investigar as preferências partidárias dos demais diretores, talvez porque os resultados não corroborem sua tese.

Dentro do sindicato, eu, particularmente, pertenço a uma corrente de opinião, denominada Articulação Sindical. Tal corrente é plural e congrega membros de muitos partidos e uma grande parcela que não é filiada a partido algum. Há nesta corrente de opinião integrantes do PSDB e outros partidos que compõem a base aliada do governo Alckmin na Assembleia Legislativa. O que nos une é a luta pela valorização dos profissionais da educação e pela melhoria da escola pública.

O querem fazer certos órgãos de comunicação? Além de não noticiarem corretamente nossa greve querem cercear nosso direito de organização, de manifestação de lutar pelos nossos direitos e reivindicações.

O que estamos assistindo é um ataque frontal e sistemático contra a democracia no nosso país. O povo brasileiro derrubou uma ditadura, mas ela está voltando de outra forma. Um único partido, o PSDB, com apoio de parte da mídia, quer mandar sozinho no nosso país, não reconhecendo o processo eleitoral de 2014, cujo resultado lhe foi adverso; “caçando” lideranças sindicais; pagando com dinheiro público blogueiros para atacar partidos progressistas e organizações sociais, como no caso dos R$ 70 mil mensais destinados ao senhor Fernando Gouveia, do site implicante.

Este partido agora utiliza “fora” para tudo. Isto não faz parte da nossa prática. Respeitamos o processo democrático, os resultados eleitorais legítimos e estamos há mais de vinte anos suportando sucessivos governos do PSDB no estado de S. Paulo. Não aceitamos golpes contra a democracia.

É preciso respeitar as escolhas de cada cidadão. Se o Governador Alckmin pode pertencer ao PSDB, por que cada um de nós não pode filiar-se ao partido de sua preferência?

O que está ocorrendo, na verdade, é que nossa greve está firme, forte e conta com o apoio da opinião pública, dos pais e dos estudantes. A “novela” à qual o Governador Alckmin se referiu não está saindo como ele imaginava, uma greve fraca e esvaziada. Por isso ele nos ataca falando de uma suposta “partidarização” do movimento. Nós já assistimos a essa novela várias vezes. Sempre que nos mobilizamos para reivindicar nossos direitos, logo aparecem tucanos e aliados para dizer que nossa luta é “partidária”, “eleitoral” e outros adjetivos deste tipo.

O ex-Governador José Serra dizia a mesma coisa em 2010, mas nos processou e perdeu. Parte da sentença do TSE diz que “A manifestação realizada por trabalhadores do sistema oficial de ensino do Estado de São Paulo, reunidos no exercício do direito de greve, ainda que resulte em críticas de natureza política, está respaldada pela liberdade de manifestação garantida pelo art. 5º, IV, da Constituição da República Federativa do Brasil e não atrai a incidência da penalidade prevista no art. 36, § 3º, da Lei nº 9.504/97.” E que “Acordam os ministros do Tribunal Superior Eleitoral, por maioria, em prover os recursos do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo APEOESP, e de Maria Izabel Azevedo Noronha.”

Nossas discussões e deliberações são realizadas em assembleias com 60 mil pessoas ao ar livre, com acompanhamento de todos os meios de comunicação. Nossa pauta é conhecida de todos. Queremos a melhoria da escola pública estadual de São Paulo, algo que o Governo do Estado, comandado pelo PSDB, se recusa a atender. Prefere o jogo baixo, encomendando matérias para nos atacar e criminalizar. Não vai conseguir.

Termino com um ditado popular: “quem está na chuva tem que se molhar”. O Governador não escolheu a reeleição? Pois agora, tem que cumprir a vontade da maioria. E a maioria da população paulista quer que ele negocie com os professores e apresente propostas que possam conduzir a uma solução positiva para o movimento.
Nossa luta é justa, nossa greve está forte e vamos até o fim.

Maria Izabel Azevedo Noronha
Presidenta da APEOESP

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Sobre a matéria publicada no dia 20/04 na Folha de S. Paulo NOTA PÚBLICA EM APOIO À GREVE DOS/AS PROFESSORES/AS DO ESTADO DE SÃO PAULO E À PRESIDENTA DA APEOESP, MARIA IZABEL AZEVEDO NORONHA

9 Comentários Add your own

  • 1. cesar  |  22/04/2015 às 13:06

    Por que a greve dos professores é inexistente.
    A secretaria da educação de São Paulo diz que não há greve dos professores, que a maioria dos professores estão em sala de aula, que o sindicato não está reprentando os interesses dos professores e da educação. Mas qual será realmente o problema de haver pouca adesão dos professores na greve, vamos tentar analisar por partes.
    A direção e supervisão escolar no início do ano receberam aumento, mesmo os professores que estão alocados como vice e diretor, por medo de perder o cargo insistem em não apoiar a greve, mesmo que depois sabem que podem voltar a sala de aula e diminuir drasticamente o salário. E nessa condição eles acabam manipulando as informações e influenciando os professores a não aderirem a greve, criando um clima de descontentamento.
    Os professores alocados na diretoria de ensino, muitos se esqueceram que já deram aula, e que podem voltar a dar aula, muitos estão alocados a muito tempo na diretoria de ensino, que acreditam que o cargo já lhes pertencesse. Vários professores estão alocados como professores coordenadores na diretoria de ensino, que na realidade não tem papel pratico algum, apenas para acomodar alguns escolhidos. A professores que deveriam dar suporte técnico aos professores nas escolas, aos quais nunca saem da diretoria de ensino, enviam toneladas de arquivos e documentos para os professores coordenadores nas escolas para lerem e responderem, mas na vida pratica apenas serve para mostrar a inutilidade do papel deles como profissionais. E da mesma forma, por medo de perderem o cargo, não lutam por melhorias na categoria, e criticam com unhas e dentes quem está lutando.
    Os professores coordenadores alocados nas escolas, da mesma forma que a direção escolar, por medo de perder o cargo, mesmo sendo o cargo que mais exige, pois ele nunca tem como fazer realmente o que deveria, como ajudar e cuidar da parte pedagógica, acaba cuidando da parte da gestão escolar, muitos por medo de perder o cargo, pois quem decide a manutenção do professor coordenador é o diretor, os professores e o conselho não tem poder nenhum. Mesmo quando o coordenador é um bom profissional, mas não realiza trabalhos que deveriam ser da gestão, acaba perdendo o cargo. Um bom motivo para não entrarem em greve.
    Professores efetivos que não entram em greve, muitos se declaram cansados de tanta luta e simplesmente perderam a esperança de mudança, há professores com mais de vinte anos de magistério que com todas as evoluções e bonificações, ganham praticamente 1300,00 a mais que um professor iniciante com 40 horas semanais. Um profissional de nível superior com esse tempo de experiência em qualquer outra área estaria ganhando pelo menos o dobro. A desmotivação profissional acaba trazendo problemas para todos.
    Os professores que estão alocados nas escolas em tempo integral. Não há nenhuma escola em tempo integral com professor em greve, por que? Por que eles têm um contrato de um ano, que pode ser extinto a qualquer momento pelo diretor e pela diretoria de ensino, por não estar cumprindo com o seu papel profissional, o professor em escola em tempo integral ganha praticamente mais do que um professor com 25 anos de carreira. Muitos por medo de perder o cargo em escola em tempo integral, não entram em greve.
    A exemplos cada vez mais claros de que a área da educação se tornou há menos atraente das profissões. O professor que iniciou na carreira a pouco tempo, vai até ficar feliz por um certo período de tempo com o salário, mas após alguns anos ele vai perceber que está defasado profissionalmente, e não é reconhecido. E com isso, a qualidade vai diminuindo, mesmo que ele faça cursos e continue estudando, mas não é reconhecido.
    O estado usa a sua força de dar cargo para uns poucos para pressionarem uma maioria que não é reconhecida profissionalmente. Isso acontece em todas as profissões do estado, mas na educação se tornou epidêmica e alarmante.

    Responder
    • 2. Luis Henrique  |  27/04/2015 às 11:26

      Cézar, obrigado pela paciência para esclarecer perfeitamente a realidade da nossa categoria, tenho exatamente esta concepção. Não é o reconhecimento do governador ou da mídia que fortalecerá nossa greve, mas sim dos nossos próprios pares. Porém …

      Responder
  • 3. Je  |  22/04/2015 às 22:07

    A sr(a) ficou sabendo do segurança da Leste 3 que atirou contra os professores (grevistas) na diretoria?

    Responder
    • 4. apeoesp  |  25/04/2015 às 13:46

      Prezado professor Je,
      Sim. Estamos acompanhando juridicamente. Protocolamos reclamação junto ao Secretário da Educação.
      Bebel

      Responder
  • 5. Rose  |  23/04/2015 às 00:17

    Boa noite.Sobre remoção alguma novidade?

    Responder
    • 6. apeoesp  |  25/04/2015 às 13:45

      Prezada professora Rose,
      Por enquanto, não.
      Bebel

      Responder
  • 7. adriano  |  30/04/2015 às 22:33

    os descontos na folha de pagamento já começaram e agora.

    Responder
    • 8. apeoesp  |  02/05/2015 às 14:20

      Prezado professor Adriano,
      Temos que continuar a nossa luta. Temos ainda mais motivos agora, não acha?
      Sempre, ao final da greve, negociamos os dias parados e conseguimos o direito à reposição. O estado impõe restrições, mas em geral os professores podem repor e a parte do salário descontada volta na medida em que as aulas sejam repostas.
      Nesta greve, ingressamos com ação judicial para que não houvesse desconto, baseados no direito de greve. Pedimos liminar, mas a juíza está enrolando até a presente data. Ficou de dar a liminar na quinta-feira, mas esperamos que o faça na segunda-feira. Se der, o Estado terá que repor os descontos.
      Na quinta-feira, dia 7/5, teremos audiência no Tribunal de Justiça, pois ingressamos com pedido de dissídio. Vamos, claro, pedir ao tribunal que mande pagar os dias parados.
      A greve é uma situação extrema, de risco, que fazemos por não ter outra alternativa. Mas estamos lutando de todas as formas para que haja o mínimo possível de prejuízos à categoria. Ou fazíamos greve, ou nem mesmo essa discussão sobre a nossa equiparação salarial com as demais categorias estaria sendo feita.
      Bebel

      Responder
  • 9. Maria  |  30/04/2015 às 22:48

    A GREVE TEM QUE CONTINUAR ATE SAIR O AUMENTO OU VAMOS COMER GRAMA

    Responder

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