Reinaldo Azevedo ataca juíza que não faz o que ele quer

12/05/2015 at 14:34 5 comentários

Reinaldo Azevedo investiu ferozmente na sexta-feira passada contra a juíza Celina Kiyomi Toyoshima, da 4ª Vara da Fazenda Pública, por ter concedido liminar em Ação Civil Pública da APEOESP para que não houvesse desconto nos salários dos professores estaduais em greve.

O suposto jornalista pode ser considerado assalariado indireto do Governo Estadual do PSDB, já que a revista para a qual trabalha é sustentada em parte por dinheiro do erário, pois é distribuída nas escolas estaduais sem que ninguém tenha solicitado tal “gentileza”. Ele está sempre a postos para defender com unhas e dentes seus patrões, diretos e indiretos. E não economiza nesta tarefa.

O escriba, aquele mesmo que outro dia disse no twitter que José Mujica é ex-presidente do Paraguai (!!), quer desqualificar o direito de greve e, na prática, marginalizar os professores que paralisam suas atividades para lutar de forma legítima e legal por melhores salários, por empregos, por melhores condições de trabalho e por melhorias efetivas na qualidade de ensino das escolas estaduais de São Paulo.

Como não podia deixar de ser, porque tem uma estranha fixação, Reinaldo Azevedo cita-me no seu desvario, para questionar minha representatividade como Presidenta da APEOESP. Não pretendo alongar-me sobre este aspecto, pois é público e notório que venho sendo eleita e reeleita pelos associados do sindicato para dirigir a entidade. É importante salientar que a APEOESP não recebe imposto sindical e cresce a cada ano sustentada exclusivamente pela contribuição voluntária dos professores e das professoras, o que mostra os acertos de sua direção.

Fazendo-se de escandalizado pela decisão da juíza – cuja liminar foi posteriormente cassada pelo desembargador José Maria Câmara Júnior, do Tribunal de Justiça – Reinaldo Azevedo não se escandaliza com tantos desmandos cometidos pelo Governo que ele apoia. O último foi mandar colocar no Portal da Transparência do Estado valores bem mais altos do que os usuais, sem qualquer discriminação ou explicação, como se esses fossem os salários normais dos professores. Na verdade, são valores excepcionais, pois contêm a somatória do salário-base (muito baixo, como sabemos) com o bônus e, eventualmente, o adiantamento do 13º salário, no caso das pessoas que aniversariam no mês.

Trata-se, claro, de uma falsidade, pois o bônus é recebido apenas uma vez por ano e não se incorpora ao salário. A manobra se destina a fazer parecer que os professores ganham bem e que a greve não faz sentido, com tem dito e repetido o Governador Geraldo Alckmin. O departamento jurídico da APEOESP está estudando o caso para responsabilizar as autoridades responsáveis por esta falsificação.

Nossa luta para que não sejam descontados os dias parados não terminou. Já ingressamos com recurso no Supremo Tribunal Federal para que seja restabelecida a decisão da juíza Celina Toyoshima e estamos confiantes. Diversas decisões no mesmo sentido já foram proferidas por aquela Corte.

Quem será o(a) próximo(a) magistrado(a) a ser atacado(a) por Reinaldo Azevedo?

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O que está acontecendo no Portal da Transparência do Governo Estadual?

5 Comentários Add your own

  • 1. Carlos Roberto de Oliveira  |  12/05/2015 às 21:44

    Com certeza, se a APEOESP tiver acesso à essas informações, seria de grande importância o conhecimento do número de professores que pediram e que pedirão exoneração de seus cargos na rede pública estadual. Tenho certeza que será um número chocante. Minha esposa já será um deles.

    Responder
    • 2. apeoesp  |  16/05/2015 às 18:11

      Prezado professor Carlos,
      Estaremos atentos.
      Bebel

      Responder
  • 3. MARCOS  |  13/05/2015 às 01:27

    Quando era criança na escola,ouvi uma vez que tínhamos no país um “quarto poder”,além do Executivo,Judiciário e Legislativo.Este poder era a imprensa.
    Próximo dos meus 50 anos ,participando de uma greve como jamais participei,concluo que temos que ser muito fortes e astutos para ter exito nesta empreitada ,pois contra nós temos o Poder Executivo na figura de Alckmin e seus desmandos,o Poder Legislativo com uma bancada “a serviço ” deste governador.
    Temos pelo que me parece apenas o Poder Judiciário com o qual ainda podemos contar que à luz da verdade sentencie este Governo que não cumpre leis(Jornada do piso,Data base,…),já que o “quarto poder”,que isento deveria ser ,nesta greve tem se mostrado bastante parcial,demonstrando claramente interesses escusos.
    Continuemos nossa luta!JUNTOS SOMOS FORTES!

    Responder
  • 4. Octávio  |  16/05/2015 às 18:28

    O tal Reinaldo Azevedo é pago com dinheiro do erário estadual? Se for verdade, você tem que denunciar ao MF levando as provas. Sua posição permite isso. Não podemos aceitar gente defendendo qualquer partido e recebendo por isso.

    Responder
    • 5. apeoesp  |  17/05/2015 às 15:06

      Prezado professor Octávio,
      Como está explicado no texto, recebe indiretamente, pois o Governo Estadual adquire mensalmente milhares de exemplares da revista Veja. Isto já foi denunciado em diversas ocasiões, todos os professores sabem.
      Bebel

      Responder

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