O Governo estadual não quer resolver os problemas da educação. Quer derrotar os professores.

30/05/2015 at 12:57 15 comentários

É inaceitável a nota emitida pela Secretaria Estadual da Educação em 29/05.

Recheada de inverdades, a nota diz que professores “comemoraram” a duração da greve. Jamais. Só tempos a lamentar que a atuação de um Governo autoritário, insensível, truculento e incompetente faça com que os professores e professoras, mesmo enfrentando o desconto salarial, sejam obrigados a permanecer mais de oitenta dias em greve para tentar obter aquilo que é normal em qualquer democracia: o diálogo e a negociação.

A greve dos professores não está isolada, nem desconectada da realidade. Isolado e desconectado está o Governo do Estado de São Paulo, encastelado em gabinetes e desconhecedor da situação existente nas escolas estaduais. Com o desconto ilegal dos dias parados, o fato de uma parte dos professores retornar às salas de aula não significa apoio nem conformismo diante das políticas do Governo.

É lamentável que a preocupação do Governo Estadual seja derrotar a APEOESP e os professores. Não conseguirá! Não derrotará nossas consciências, nosso espírito de luta, nosso compromisso com a escola pública. Esta sim, cada vez mais derrotada com os desmandos do Governo.

Não cabe ao Governo estadual avaliar a representatividade das entidades. A APEOESP tem quase 190 mil associados e representa de forma legítima os professores estaduais. Outras entidades, somadas, não chegam a este número de filiados. Cada uma escolhe seus métodos e suas estratégias, mas não aceitamos que nenhuma outra entidade fale pela nossa base, que está em greve e não aceita conchavos a portas fechadas e na calada da noite.

Como homens públicos, o Governador e o Secretário da Educação deveriam buscar soluções para a greve. Em vez disso, recusam-se a marcar reuniões e negociar e tentam asfixiar os professores com corte de salários e o sindicato com multas de alto valor. Não houve sete reuniões de negociação, mas apenas três em quase oitenta dias de greve. Na prática, nada foi negociado, porque o Secretário da Educação empurra o caso com a barriga, sem anunciar nenhum índice salarial e sem concretizar nenhuma proposta.

Temos compromisso com nossos alunos e queremos repor os conteúdos não ministrados durante a greve, pois o funcionamento de muitas escolas é apenas de fachada, sem aulas regulares nas disciplinas onde os professores estão em greve. Cabe ao Governo viabilizar, pela negociação conosco, as formas de fazê-lo. Por isso estamos lutando nos tribunais para que sejam estornados os valores descontados e para que não hajam novos descontos, pois nossa greve não foi considerada ilegal.

Nossa greve continua até o momento em que os professores e professoras – e não o Governo estadual – definirem.

Maria Izabel Azevedo Noronha
Presidenta da APEOESP

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15 Comentários Add your own

    • 2. apeoesp  |  31/05/2015 às 03:25

      Prezado professor Thiago,
      Creia, se eu tivesse o poder de resolver essa questão, ela sequer existiria. Estamos lutando contra um governo truculento que age de forma ilegal. Estamos agindo em todas as frentes para vencer essa batalha.
      Bebel

      Responder
      • 3. Thiago  |  31/05/2015 às 05:19

        Bebel, eu sei que o sindicato tem feito tudo que é possível. Mas não é chagado o momento de começar a nos oferecer orientações para ações jurídicas individuais. Por exemplo, na minha escola os substitutos entraram no lugar de grevista, mas deram atividades descontextualizadas do componente curricular. Como proceder nesse caso? Nãos seria o caso de invalidarmos essas aulas? E não é chegada a hora da Apeoesp ajudar grupos de pais de alunos a se organizarem e judicialmente cobrarem a gestão Alckmin por se recusar a negociar, comprometer a qualidade de ensino?

        Uma coisa ficou muito claro Bebel: na ânsia de derrotar o nosso sindicato o Alckmin sacrificou nossos alunos. Ele, que nos acusa de fazer política – é claro que fazemos política -, fez pior: sacrificou milhares de estudantes para nos vencer. A partir do momento que a greve existe e é um direito, ele tinha a obrigação de negociar conosco para não prejudicar os estudantes. Isso é uma irresponsabilidade do gestor público!

      • 4. apeoesp  |  06/06/2015 às 13:00

        Prezado professor Thiago,
        concordo com você. Vamos lutar pela reposição até o fim, inclusive mobilizando alunos e pais. Vou pedir para o jurídico estudar a possibilidade de ações individuais.
        Alckmin comete diversos crimes ao tentar nos derrotar. Vamos tentar qualificá-los judicialmente. O problema é que a justiça é muito difícil para nós e fácil para ele.
        Bebel

  • 5. Jacinto Francisco Velozo  |  30/05/2015 às 20:16

    Boa Tarde!

    Em greve desde 27 de Março com: Holerite zerado + documento protocolado na escola junto a direção dizendo que estou de greve e estou no probatório + Certeza de que não estão repondo na minha escola mas o governador diz que está entrando substituto e aí?

    Se os Juízes entenderem que somos minoria em relação aos não grevistas e acreditar no Governador quando diz que estão entrando substitutos estamos ferrados.

    Mas se por outro lado os juízes entenderem que o governo está desde o dia 13 de março coagindo e tratando o professor com repressão ao cortar salários, não permitindo que possamos entrar nas escolas, e manipulando o portal da transparência para dividir a opinião publica e ainda considerando ás mais de 11 assembleias aí podemos ter uma chance.

    Att; Professor Jacinto

    Responder
    • 6. apeoesp  |  31/05/2015 às 03:24

      Prezado professor Jacinto,
      A greve é um risco, mas o governo está agindo de forma ilegal e é isto que estamos buscando provar na justiça. Estamos trabalhando em todas as frentes e confiantes na vitória.
      Bebel

      Responder
  • 7. Maria José  |  31/05/2015 às 05:14

    Bebel, em minha Escola, até agora não colocaram ninguém para substituir os grevistas. O diretor está seguindo todas as orientações que constam na carta que entregamos comunicando à respeito da greve. Os professores que retornaram também confirmaram que estão deixando os alunos em aula vaga. Nesse caso como ficaremos sem reposição?

    Responder
    • 8. apeoesp  |  06/06/2015 às 12:57

      Prezada professora Maria José,
      Na última reunião conosco o Secretário disse que haverá reposição. Vamos negociar ao final da greve.
      bebel

      Responder
  • 9. Thiago  |  31/05/2015 às 05:29

    Uma outra cosia Bebel: podemos tentar entrar com uma ação por assedio moral contra o Alckmin pela forma que trata os professores grevistas? As declarações não seriam uma forma de coação contra o direito de greve?

    Aceita minha sugestão, presidenta (se é que é possível em termos jurídicos)? A Apeoesp recolheria tudo o que a secretaria de educação e o governador falaram sobre a greve e sobre os grevistas como provas. Entraríamos com uma ação pro assedio moral solicitando indenização em favos das APMs da escola em que trabalhamos – pois não quero ganhar dinheiro do governo por seus abusos às custas do contribuinte.

    Responder
    • 10. apeoesp  |  06/06/2015 às 13:01

      Prezado professor Thiago,
      Estudaremos sua sugestão.
      Obrigada.
      Bebel

      Responder
  • 11. Jacinto Francisco Velozo  |  02/06/2015 às 15:49

    Professora Bebel, Bom Dia!

    Qual a previsão das audiências na justiça?

    1 – Dissidio coletivo previsto para dia 10/06 ?
    2 – Sobre o corte dos salários no STF qual a data prevista?

    Tem mais alguma coisa tramitando na justiça?

    Como lhe falei estou em estágio probatório e entrei na greve desde o dia 27 de Março e acredito que voltarei a trabalhar dia 15/06 pois a SEE marcou o curso do probatório para dia 13/06.

    Vou guardar bem o documento que protocolei na escola, para no futuro não ser prejudicado.

    Também gostaria de saber se não há como a apeoesp propor a nós grevistas na assembleia lá do dia 12/06 a deixar o processo rolar na justiça e voltarmos as escolas pois já estamos bem cansados psicologicamente e financeiramente? a final de contas esta já é a maior greve da história e daqui para o dia 12/06 serão 92 dias, ou seja, os sindicatos pelegos, os pelegos, mídia, e a maioria da sociedade é tão corrupta quanto o governo, sendo assim já temos nossa vitória que é a luta por nossa profissão, sujamos a imagem do governador tirano e deixar que o povo sinta na pele com a falta de água que estar por vir e enxergar que nós estávamos certos.

    Lhe agradeço por estar conosco nesta luta e serei uma das testemunhas que desta vez o sindicato fez o seu máximo e lutou ao nosso lado.

    Att; Professor Jacinto

    Responder
    • 12. apeoesp  |  06/06/2015 às 12:48

      Prezado professor Jacinto,
      Não há datas ainda para os julgamentos.
      De acordo com orientação jurídica, o estágio probatório fica suspenso durante a greve.
      A suspensão da greve tem sido discutida, mas as assembleias deliberam pela continuidade por tempo indeterminado. propusemos inclusive greve em dias determinados, mas não foi aprovado.
      bebel

      Responder
  • 13. Prof Clóvis  |  04/06/2015 às 10:00

    Esta sendo veiculado pela imprensa que nós perdemos (03/06/2015) no STJ, isto procede?

    Responder
    • 14. apeoesp  |  06/06/2015 às 12:42

      Prezado professor Clovis,
      Sim, perdemos. Temos recurso no STF.
      Bebel

      Responder
  • 15. Fernando "IntensoFOX" Gaebler  |  12/06/2015 às 20:00

    Republicou isso em Fernando Gaebler.

    Responder

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