Por que escondem o papel da APEOESP na luta contra a reorganização?

04/05/2016 at 03:03 Deixe um comentário

A APEOESP – Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo foi a primeira entidade a denunciar e reagir à política de fechamento e superlotação de classes, fechamento do turno noturno e fechamento de escolas na rede estadual de ensino.

No início de 2015 a APEOESP, alertada pelas denúncias de professores e estudantes, coletou informações junto às 93 subsedes da entidade localizadas em todas as regiões do estado. Desta forma, chegamos ao número parcial de 3.390 classes fechadas em 2015. A reabertura das classes fechadas foi um dos pontos da mais longa greve da rede estadual, que durou 92 dias e contou com grande apoio da comunidade.

No segundo semestre o Governo anunciou que fecharia escolas inteiras e “reorganizaria” centenas de outras. Imediatamente a APEOESP convocou um forte movimento, que unificou professores, funcionários, estudantes, pais e movimentos sociais, por meio do Grito pela Educação Pública de Qualidade no Estado de São Paulo. Este movimento, coordenado pela APEOESP, centrais sindicais (como a CUT e CTB), entidades estudantis (UNE, UPES, UBES, UMES), entidades populares (entre elas MST, MTST, CMP), além de outras entidades sindicais e da sociedade civil, ganhou corpo e disseminou pela sociedade a consciência sobre o verdadeiro crime que o Governo do Estado estava cometendo.

Estudantes deram mais amplitude á luta
Os estudantes secundaristas, juntamente com os demais setores que participaram da mobilização, tiveram sem dúvida um papel importante, quando passaram a ocupar as escolas, o que ocorreu a partir do dia 09/11, quando o movimento já ganhara força e repercutia nos meios de comunicação e na sociedade.

Assim como no caso das classes fechadas, também no caso das escolas que poderiam ser fechadas durante o processo de reorganização, em 2015, a APEOESP foi a primeira instituição a apontar om possível fechamento de 162 unidades escolares, indicando seus nomes e endereços. Esta iniciativa, ajudou a muitas escolas da lista, uma vez que propiciou a articulação de movimentos das comunidades para que não fossem fechadas. Quando o Governo anunciou que fecharia 93 escolas e reorganizaria outras 754 unidades, já havia um grande movimento em curso.

É muito importante lembrar que a APEOESP esteve ativa e presente em todos os acontecimentos relativos ao processo de ocupação das escolas em 2015, não apenas por se tratar de uma luta na qual estava profundamente engajada desde o primeiro momento, mas também porque foi acionada judicialmente pelo Estado para que pagasse multas diárias da ordem de R$ 100 mil por cada escola ocupada.

A APEOESP utilizou-se de todos os meios jurídicos e políticos a seu dispor para evitar as reintegrações de posse pretendidas pelo Governo Estadual bem como abusos e uso de violência contra os estudantes e professores, assim como participou como ativa apoiadora na ação civil pública movida pelo Ministério Público contra o processo de reorganização, o qual gerou a sentença judicial que no dia 12/12 mandou suspender todo o procedimento, determinando que Governo promova debates populares sobre a educação pública estadual.

Nosso sindicato denunciou e demonstrou a “reorganização silenciosa”
Em 2016, levantamento também parcial indica que foram fechadas pelo menos 1.412 classes em 2016, naquilo que denominamos no início do ano de “reorganização silenciosa” ou “reorganização disfarçada” da rede estadual de ensino, termos que se tornaram usuais em toda parte no que se refere a este assunto.

Em fevereiro, face à continuidade da reorganização da rede, de forma silenciosa, por meio do fechamento de classes, a APEOESP denunciou o fato ao Tribunal de Justiça do Estado e solicitou ingresso no processo judicial contra a reorganização como amicus curiae (cópia anexa) e, em abril, persistindo este procedimento do Governo Estadual, denunciou o fato ao Ministério Público Estadual, solicitando providências (cópia anexa).

É por esta razão que a APEOESP vem protestando de forma veemente contra setores dos meios de comunicação e outros segmentos, que insistem em noticiar e abordar todo este movimento contra fechamento de classes e de escolas ignorando e deixando de lado o papel do nosso sindicato em todo esse processo.

Setores da mídia tentam apagar da história o papel da APEOESP
Ora, como é possível que determinados meios de comunicação, como o jornal Folha de S. Paulo, noticiem o quadro de fechamento de classes em 2014 sem citar a APEOESP, que emitiu diariamente nos meses de fevereiro e março levantamentos atualizados das classes fechadas? Como podem publicar notícias sobre o andamento do processo judicial contra a reorganização e sobre o questionamento do Tribunal de Justiça para que o Governo Estadual explique porque continua fechando classes e não promove os debates educacionais que foram determinados, simplesmente apagando qualquer participação da APEOESP em todos esses acontecimentos?

Não pretendemos ser melhores que ninguém, nem tomarmos para nós qualquer exclusividade, pois temos desenvolvido uma luta conjunta com diversos outros segmentos contra esses desmandos do Governo do Estado. O que não aceitamos, entretanto, é que em reportagens sobre este assunto sejam citados especialistas, acadêmicas e fontes diversas (nem todas reais participantes desses acontecimentos) e que nosso sindicato seja totalmente ignorado, numa tentativa evidente de relegá-lo ao segundo plano e tentar apagar o seu papel.

Lamentamos que a mídia e outros setores assim procedam, mas essa forma de agir não nos tirará do firme propósito de continuar lutando contra tentativa de desmonte da rede estadual de ensino, porque a luta por educação pública de qualidade está inscrita na história da APEOESP e nós a levaremos sempre adiante, custe o que custar.

Maria Izabel Azevedo Noronha
Presidenta da APEOESP

OBS: acesse o link abaixo e leia as petições judiciais da APEOESP contra a reorganização da rede estadual de ensino e fechamentos de classes.

http://www.apeoesp.org.br/noticias/noticias-2016/peticoes-da-apeoesp-contra-a-reorganizacao-da-rede-estadual-de-ensino/

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