O que fazia uma seita religiosa em uma escola estadual paulista?

03/06/2016 at 18:00 10 comentários

É alarmante o que vem acontecendo na educação pública brasileira. Vejam o vídeo anexo (especialmente a partir de 0:56″). O que faziam integrantes de uma seita religiosa conservadora em uma escola estadual paulista?

Temos alertado para o grande espaço que uma visão extremamente conservadora de sociedade e de educação tem obtido junto ao governo ilegítimo do senhor Michel Temer.

Recentemente, para indignação geral dos brasileiros, o ilegítimo Ministro da Educação recebeu em seu gabinete no MEC o ator pornô Alexandre Frota e outros defensores do movimento denominado “escola sem partido”. Sob o pretexto de combater uma suposta “doutrinação de esquerda” nas escolas, este movimento pretende amordaçar os professores e professoras, impedindo-os de debater com seus estudantes a pluralidade de ideias e concepções existentes na sociedade sobre política, gênero, ética, moral e outros assuntos.

A onda conservadora que estamos vivendo fez com que fossem retirados de diversos planos estaduais e municipais de educação referências às questões de gênero, questões étnicas, referências a opções sexuais e outros assuntos incômodos aos conservadores. Também tem sido apresentados projetos de lei nas assembleias legislativas, câmaras municipais e no Congresso Nacional que preveem até mesmo penas de prisão a professores/as que tratem destes assuntos em sala de aula ou quaisquer outros espaços nas escolas.

Ao mesmo tempo em que são criminalizados os professores que ousam pensar e debater com os estudantes temas que contribuem para a sua formação integral como cidadãos e cidadãs conscientes, setores conservadores encastelados no Estado brasileiro acolhem e apoiam organizações conservadoras e seitas religiosas que nada tem a fazer no interior de uma escola pública.

As imagens  mostram integrantes da seita Arautos do Evangelho em visita à Escola Estadual Fernão Dias Paes, na tarde da quinta-feira, 2 de junho.

O Estado brasileiro é laico. O que faziam, então, essas pessoas em uma escola pública? Qual seria a finalidade desta visita? Estariam realizando doutrinação religiosa num espaço pertencente público de educação, sob responsabilidade do Governo do Estado de São Paulo?

Nosso sindicato, que representa profissionais da educação, tem enfrentado recorrentes problemas para ingressar em unidades da rede estadual de ensino. Durante nossa greve de 92 dias, em 2015, fomos proibidos de ingressar nas escolas para conversar com os professores e professoras. Por que, então, uma entidade religiosa, sem qualquer ligação com a educação pública estadual, é facilmente admitida no interior de uma escola da rede? Com a palavra, a Secretaria Estadual da Educação.

São muitas perguntas a serem respondidas. Os fatos se sucedem. A sociedade tem que estar alerta e se posicionar contra a apropriação do Estado brasileiro por grupos conservadores radicais de direita que estão tentando destruir os avanços conquistados pelos educadores, estudantes, pais e a sociedade nas últimas décadas.

Maria Izabel Azevedo Noronha
Presidenta da APEOESP

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10 Comentários Add your own

  • 1. Darcy Figueira dos Santos Junior  |  04/06/2016 às 19:45

    Professora Bebel. Sou representante de escola da Sub Sede de Itapetininga. Sou pré-candidato a vereador em Itapetininga em 2016. Eu precisava me desincompatibilizar da Apeoesp em 01 de Junho de 2016. Aguardo resposta. Prof Darcy – darcyfigueira230465@gmail.com

    Responder
    • 2. apeoesp  |  06/06/2016 às 18:37

      Prezado Darcy,

      Conforme publicado no Boletim Informa Urgente 20, do dia 06/04/2016 no site da Apeoesp, a legislação estabelece prazo de quatro meses do pleito para desincompatibilização de cargos diretivos em entidades sindicais. Neste Boletim há um modelo a ser encaminhado à presidenta da Apeoesp. Estamos orientando que este pedido de afastamento tenha como data o dia 01 de junho e o afastamento a partir do dia 02 de junho. Veja modelo no Boletim supra-citado.

      Bebel

      Responder
  • 3. Victor Neri  |  05/06/2016 às 15:45

    Pior poatagem! E a mais ridícula feita pela senhora!

    Só lamento!

    Victor Neri

    Responder
    • 4. apeoesp  |  06/06/2016 às 17:38

      Prezado professor Victor,
      Seu comentário não permite estabelecer um diálogo. Por que minha postagem seria ridícula? O Estado brasileiro é laico. As escolas públicas não são espaços para proselitismo religioso. Respeito todas as religiões, mas considero que, no mínimo, qualquer atividade que envolva religiões em espaço educativo, deveriam ser ecumênicas; ainda assim, com ressalvas.
      Por que a direção da EE Fernão Dias Paes privilegia uma determinada seita religiosa?
      Como disse, seu comentário não propicia um debate proveitoso. Respondo-o apenas em respeito aos nossos leitores, de quem não costumo sonegar nenhum comentário, a não ser em casos excepcionalíssimos.
      Bebel

      Responder
      • 5. Jorge Luis (@georgetriunfo)  |  07/06/2016 às 01:05

        Sua postagem é ridícula sim e você diz que não permite estabelecer diálogo porque todo professorzinho esquerdopata odeia ser contradito. Esta história de fazer ideologia de gênero na escola é um absurdo, meus filhos vão para a escola para aprender as matérias básicas, para ter o conhecimento necessário para entrar na faculdade, mas o que nós vemos? professorzinho de esquerda pregando ideologias marxistas, santificando simone de beauvoir, uma pedófila. Vocês não querem dar aulas, mas querem sexualizar as crianças. Gente igual a você é um lixo, seus alunos devem ser burros tecnicamente como muitos alunos dos tempos petista. Teu partido está até o pescoço de corrupção, ria vergonha nesta cara Bebel, debate com gente igual a você não existe mesmo.Lixo!

      • 6. apeoesp  |  08/06/2016 às 02:24

        Prezado senhor Jorge Luis,
        Seu comentário é o melhor exemplo de que é preciso, sim, tratar de sexualidade, diversidade, direitos humanos e todos os assuntos que dizem respeito à vida em sociedade nas escolas. Suas palavras são baixas, recheadas de preconceitos e de má formação como pessoa e como cidadão. Aliás, o senhor tomar a iniciativa de vir a este blog para destilar seu ódio e preconceito já mostra um certo distúrbio. Obviamente, não mais publicarei seus comentários. Se o faço agora, é apenas para que as pessoas tomem conhecimento de que existem pessoas como o senhor e procurem se manter atentas e defender a nossa democracia, pois o fascismo, infelizmente, tem seguidores em nossa sociedade.
        Bebel

  • 7. Regina Lins  |  06/06/2016 às 21:22

    Prezada Profa. Maria Izabel

    Em primeiro lugar, gostaria de parabenizar pelo cargo.
    E em segundo lugar gostaria de dizer que é alarmante a senhora com tamanha formação, escrever uma postagem a partir de um pequeno vídeo (filmado de fora da escola!!). Qualquer pessoa mais bem informada, estudiosos da religião, escola e laicidade, conhece bem a Associação católica Arautos do Evangelho, logo ela não se pode enquadrar-se no quesito seita.
    O trabalho realizado pelo grupo dos Arautos do Evangelho, em escolas publicas, é um trabalho de cunho cultural. Trabalho realizado desde o tão saudoso primeiro mandato do governo Lula. O que os Arautos fazem? Levam música e instrumentos às escolas. Sim, a música que foi retirada das escolas na época da ditadura, por Jarbas Passarinho e, até hoje não conseguiu um lugar na educação escolar pública.
    Sou fã do trabalho antropológico, da perspetiva antropológica a cerca da educação ou qualquer comunidade. Assim, convido a todos que levantam suspeitas errôneas a respeito de escolas ou comunidades religiosas a acolher a visão antropológica. Ir ao local, entrar no local, sentir o lugar, para conhecer o outro e compreende-lo. A senhora bem deve saber que a visão antropológica é um ganho para a educação. Essa filmagem (De fora da escola!!) é pobre e nada diz. Muito mais se ganha quando se adentra lugares.
    Att.

    Responder
    • 8. apeoesp  |  08/06/2016 às 02:27

      Prezada senhora Regina,
      Trata-se de uma seita católica de extrema direita, originária de uma outra seita denominada Tradição, Família e Propriedade (TFP), que apoiou a ditadura militar e que não tem nada que fazer dentro de uma escola pública. O Estado brasileiro, republicano, é laico. E assim deve continuar a ser. Respeito suas convicções religiosas, mas escola pública não é local para pregações e doutrinamento religioso.
      Bebel

      Responder
  • 9. Prof. Clóvis  |  07/06/2016 às 21:03

    Antes da última reunião com o secretário eu perguntei sobre o problema das férias dos professores que efetuaram reposição nas férias de julho/2015.A resposta que me foi dada é que seria tratado com o secretário. Como RE tenho vários professores em minha UE com este problema (eu mesmo), gostaria de saber qual orientação devo passar. Obrigado

    Responder
    • 10. apeoesp  |  12/06/2016 às 14:18

      Prezado professor Clóvis,
      Estamos tratando destes casos com a SEE. Também vou buscar mais informações junto ao departamento jurídico e publicarei.
      Bebel

      Responder

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