Luta dos professores conquista aprovação do Plano Estadual de Educação

15/06/2016 at 12:55 10 comentários

alesp 1406

A Assembleia Legislativa aprovou na noite da terça-feira, 14 de junho, o Plano Estadual de Educação. Uma vitória importante para todos os que lutam por educação pública de qualidade. Um grande público, formado por professores, estudantes e outras pessoas interessadas acompanhou a sessão, pressionando para que fossem aceitas e votadas as propostas defendidas pela APEOESP e estudantes. Um ato público foi realizado no início da tarde na parte externa da ALESP.
Por meio de emenda aglutinativa, a proposta aprovada incorporou uma série de emendas apresentadas pela APEOESP, acordadas com a Secretaria Estadual de Educação e com o Líder do Governo na ALESP, conforme tive a oportunidade de expor na audiência pública realizada no dia 31 de maio, na presença do Secretário da Educação e de centenas de professores, estudantes e outros segmentos que lotaram o plenário, a galeria e dois auditórios da Assembleia Legislativa.
Entre os principais pontos que foram incorporados ao projeto de lei do Governo (que foi elaborado com base na proposta inicial do Fórum Estadual de Educação, mas com modificações que a haviam descaracterizaram em aspectos centrais) estão:
Criação do Sistema Estadual de Educação; legislação específica para a gestão democrática; equiparação salarial do magistério com demais profissionais com formação equivalente (meta 17), no prazo de seis anos; revisão anual dos salários; equiparação dos direitos dos profissionais temporários aos profissionais efetivos; adequação da relação numérica professor-estudantes nas classes; ampliação das fontes de financiamento da educação por meio de reforma tributária; custo-aluno-qualidade; nova carreira que valorize o trabalho e a experiência dos profissionais da educação; retirada das metas 21 e 22, respectivamente sobre a municipalização do ensino e flexibilização curricular do ensino médio; entre outros.
A emenda aglutinativa também incorporou demandas dos estudantes, que focaram particularmente na questão da alimentação escolar e pontos relativos ao ensino superior.
A APEOESP produzirá material analítico sobre a proposta aprovada, contendo a íntegra do Plano Estadual de Educação, com suas 21 metas e cerca de 290 estratégias.
Agora, abre-se uma nova etapa, na qual lutaremos para todos os dispositivos ali contidos sejam de fato implementados.

Anúncios

Entry filed under: Artigos.

Festival de cinema aborda cultura e educação. Governo estadual não tem compromisso com a aprendizagem

10 Comentários Add your own

  • 1. Wagner Cunha  |  15/06/2016 às 17:11

    Bebel, quanto o governador está economizando mensalmente com a pedalada disfarçada que não repõe nem a inflação anual em nossos salários? Esta conquista fará com que ele aprove algum aumento? Se pegarmos 50 reais, eles não compram muita coisa, é injusto isso.

    Responder
    • 2. apeoesp  |  18/06/2016 às 12:01

      Prezado professor Wagner,
      O plano dá a garantia legal de nossos direitos, mas sabemos que este Governo só cumprirá alguma coisa com muita pressão e mobilização. Enquanto os professores não se convencerem disto e ficarem esperando resultados, nada será conseguido.
      Bebel

      Responder
  • 3. Wagner Cunha  |  15/06/2016 às 17:17

    O que significa flexibilização curricular??? Vamos ficar nas mãos de Diretoras???

    Responder
    • 4. apeoesp  |  16/06/2016 às 14:08

      Prezado Wagner Cunha,

      A flexibilização curricular não é necessariamente algo ruim, se entendermos que cada escola, cada região do estado, ou do país possui suas particularidades culturais. Neste sentido, uma certa flexibilização pode ser saudável ao garantir um mínimo de autonomia necessária para que se possibilite uma adequação às particularidades de cada realidade. Entretanto, é preciso termos cuidado quando alguns grupos, em especial por parte deste governo apontam para uma flexibilização curricular, se esta mesma afetar o direito de todos estudantes a terem acesso a uma educação de qualidade, introduzindo disciplinas e conteúdos que depois possam prejudicá-los no acesso ao ensino superior, em especial. Este trajeto já vimos no passado, com a separação da escola técnica para os filhos dos trabalhadores e uma escola regular para os filhos da classe média e elite. Por isto, este debate deve ser feito com muito cuidado para que nem os estudantes, nem os professores sejam prejudicados.

      Bebel

      Responder
  • 5. Prof. Clóvis  |  16/06/2016 às 17:21

    Em relação a meta 17, seis anos a partir de quando. O plano está atrasado, vamos contar ainda para a frente?

    Responder
    • 6. apeoesp  |  18/06/2016 às 12:00

      Prezado professor Clóvis,
      Sim. Como toda lei, o plano só passar a produzir efeitos a partir de sua promulgação. O fato de estar escrito não é garantia. Teremos que lutar para que o Governo o cumpra.
      Bebel

      Responder
  • 7. Sandra Andrade  |  16/06/2016 às 18:10

    Maria Izabel,
    Boa tarde!
    Como o governo cumprirá todas essas metas, se não pagou o percentual prometido aos aprovados na Prova de Promoção por Mérito, a ponto de os professores terem de passar pelo desgaste de abertura de ação contra esse governo?
    Vejo que esse Plano Estadual de Educação é mais um blá blá blá que não sairá do papel. Além disso, acho que as reivindicações deveriam ser concretas e práticas, com a presença de números relativos a reajustes salariais, o que não percebi. Acreditar na realização das melhorias “sonhadas” nesse Plano é o mesmo que acreditar em Papai Noel.
    Atenciosamente,
    Sandra

    Responder
    • 8. apeoesp  |  18/06/2016 às 11:58

      Prezada professora Sandra,
      Não podemos avaliar nada do que acontece na educação paulista (aliás, em nenhum campo da política) sem analisarmos a correlação de forças. O Plano Estadual de Educação representa, sim, um avanço, pois embora não contenha tudo o que queríamos, muitos dispositivos foram arrancados com muita luta. E não se trata de um plano para este governo e sim para dez anos. cabe ao povo, e aí nos incluímos, eleger um outro governo, que se comprometa e execute todas as metas e diretrizes ali contidas. Agora, o que está escrito no plano pode e deve ser cobrado de imediato deste governo e é o que faremos. Da forma como você fala, não adianta lei alguma. Pelo que diz, se o governo for bom, fará o que deve e se não for, não adianta lutar.
      Concordo com você: temos reivindicações urgentes e elas precisam ser atendidas. Entretanto, o governo não as quer atender; E, então? Qual é a saída? Nos sentarmos em nossas casas e nas escolas e dizermos que as coisas deveriam ser assim ou assado, ou irmos à luta para forçar o governo a conceder aquilo que necessitamos? Realizamos três assembleias no primeiro semestre e pelo menos três outras mobilizações. Chegamos a falar em greve, mas ela não se viabilizou porque o número de professores mobilizados foi insuficiente. Temos nova chance de virar o jogo no segundo semestre.
      O bom sonho é aquele que se torna realidade. O Governo não vai realizá-lo para nós. Temos que nos levantar e lutar por ele.
      Bebel

      Responder
      • 9. Sandra Andrade  |  21/06/2016 às 19:29

        Prezada Bebel,
        Boa tarde!
        Concordo em que não exista realização de sonho sem luta. E esta cabe a cada um de nós, professores. Pela situação em que se apresenta o Brasil, talvez não tenhamos um bom governo por muitos anos ainda. Dessa maneira, lutar sempre será o caminho.
        O que eu quis dizer com a minha mensagem foi que não vejo o Plano Estadual da Educação como uma maneira de lutar. Provavelmente eu esteja errada por pensar assim, mas é que dá certa revolta de (praticamente) todos os anos sermos penalizados pela participação nas paralisações e greves e o salário e as condições de trabalho continuarem precários. Acho que a luta deveria se concentrar nessas duas reivindicações: reajuste do salário e melhoria das condições de trabalho. Mais um “papel” (o Plano Estadual) aprovado parece – desculpe-me a franqueza – uma forma de o sindicato “encher linguiça” para demonstrar um serviço que ele não presta, deixando transparecer que oferece, entende?
        Enfim… Acho muita teoria para pouca prática. Mas talvez eu possa estar errada. E tomara que eu esteja, pois assim o caminho que vem sendo traçado pela APEOESP é o melhor.
        Vou tentar resgatar a minha esperança.
        Grata pela resposta!
        Atenciosamente,
        Sandra

      • 10. apeoesp  |  26/06/2016 às 16:52

        Prezada professora Sandra,
        Não há como não concordar que os tempos são difíceis e sombrios. Mas também devemos considerar todas as coisas para nós, as grandes e as pequenas, nunca vieram sem muita luta. Por isso, não temos outra alternativa a não se lutar. E conquistar. E festejar quando conquistamos, pois cada pequena coisa é mais um passo, e o caminho se faz com um passo após o outro.
        Bebel

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


Mensagem da Presidenta da APEOESP às professoras

Clique no play para ouvir.

Blog Stats

  • 4,932,497 hits

%d blogueiros gostam disto: