Governo Temer quer intervir nos sindicatos?

09/10/2016 at 01:12 4 comentários

Circulam informações (ou boatos) de que a Polícia Federal estaria preparando para os próximos dias uma operação em sindicatos filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Se confirmada, esta operação significaria uma intervenção do Governo nos sindicatos, algo que não é feito no Brasil desde a ditadura militar. Tratar-se-ia, obviamente, de perseguição política à CUT e seus sindicatos.
Somos contra qualquer tipo de perseguição a sindicatos ou entidades dos movimentos sociais, ainda mais se é direcionada a determinados setores que se opõem às políticas do atual Governo biônico. Há diversas centrais sindicais no Brasil, mas as informações direcionam a intervenção do Governo à CUT. Pelo que se depreende, por exemplo, os setores da Força Sindical que ajudaram a fomentar o golpe que levou ao poder o atual governo não seriam incomodados. Este seria o critério para a escolha dos possíveis alvos da suposta operação?
Reafirmo que somos contra perseguições direcionadas ao movimento sindical. Recebam ou não imposto sindical. São os trabalhadores que gerem e deliberam sobre a destinação destes recursos em prol das lutas e campanhas em defesa de seus direitos e reivindicações e o órgão competente para inspecionar os sindicatos é o Ministério do Trabalho e não a Polícia Federal. Nós da APEOESP, sindicato filiado à CUT, não recebemos imposto sindical. A contribuição dos professores é voluntária, a entidade tem um funcionamento democrático e transparente ramificado em 93 subsedes e é supervisionada e auditada pelo Governo Estadual. Os recursos que recebemos são aplicados nas mobilizações da nossa categoria de acordo com os estatutos da entidade.
Ocorre que o momento atual coloca ainda em maior evidência a luta sindical contra as medidas que vem sendo adotadas pelo Governo Temer contra os trabalhadores e contra a maioria da população brasileira. Os servidores públicos (bem como a população pobre) são diretamente atingidos pelos cortes de gastos previsto no Projeto de Emenda Constitucional 241 (cuja votação está prevista para segunda feira, 10/10; pelo sucateamento dos serviços públicos; terceirizações; congelamento de salários; cancelamento de concursos, convocações de concursados e contratações; pela redução de investimentos em educação e saúde; reforma da previdência; reforma do ensino médio (MP 746), entrega do pré-sal às multinacionais (já votada pela Câmara dos Deputados); e tantas outras medidas.
A suposta operação que está sendo aventada teria, assim, o claríssimo propósito de ameaçar e intimidar o movimento sindical organizado na CUT para que não mobilize e organize os trabalhadores na luta contra os ataques e retrocessos promovidos pelo Governo biônico de Temer. Volto a dizer que se trataria de uma intervenção no movimento sindical, confirmando assim que vivemos já sob uma ditadura, oriunda da um golpe que articulou setores do parlamento, do empresariado, de órgãos policiais, do judiciário e da mídia.
Resistiremos. Não vamos permitir que um governo autoritário e ilegítimo retire-nos o direito constitucional de organização, de expressão e de mobilização da classe trabalhadora pelos seus direitos.
Maria Izabel Azevedo Noronha
Presidenta da APEOESP

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Política para que? Aprovação da PEC 241 é crime hediondo contra o Brasil

4 Comentários Add your own

  • 1. SUELEN  |  09/10/2016 às 13:08

    Não há o que temer.

    Responder
    • 2. apeoesp  |  09/10/2016 às 16:06

      Prezada professora Suelen,
      Não tememos mesmo. E nção aceitamos abusos de poder.
      Bebel

      Responder
  • 3. Edinei nogueira  |  09/10/2016 às 23:41

    Entao, ja ouvi muitos especialistas dizerem que e mentira o rombo da previdencia, ela nao e so alimenta pelo jovem trabalhador que paga para o aposentado, mas a composicao deste fundo e feito por outras contribuicoes, tais como uma parte do que e arrecadado em loterias, por exemplo…
    Nao a maioria de aposentados que ganham um salario minimo que afunda a previdencia, muitos trabalhadores que contribuiram uma vida inteira pelo teto de comtribuicao hoje nao recebem 1/5 deste valor.
    Isso e injusto, e muito injusto.
    Aqui e um pais onde as pessoas comecam a trabalhar muito cedo, eu comecei a trabalhar com 19 anos como professor, temos uma aposentadoria especial nao e a toa, se tiver que trabalhar ate o 65 anos serao 46 anos de contribuicao, bem distante dos 25 anos a que temos direito hoje, tenho certeza que nao chegarei vivo ate la, e nao e justo mudar as regras a bel prazer no meio do jogo e varias vezes, quando convem ao governo.
    Acho que deve haver uma reforma da previdencia sim, nao e possivel a maior parte dos brasileiros ganharem um salario minimo de aposentadoria enquanto alguns recebem 45.000, 60.000 reais ou mais de aposentadoria e depois muitos destes senhores senis se casam com mocinhas que irao receber suas respectivas aposentadorias para o resto da vida.
    Nao e justo que o povo sempre seja chamado a pagar a conta do banquete onde eles se fartam.
    E o dinheiro da corrupcao, o dinheiro desviado, roubado que tem que voltar para compor o rombo feito por quem mal administrou enquanto nos estavamos trabalhando para pagar nossos impostos.

    Responder
  • […] Posted about 1 min ago | 0 comment Por MARIA IZABEL AZEVEDO NORONHA – Circulam informações (ou boatos) de que a Polícia Federal estaria preparando para os próximos dias uma operação em sindicatos filiados à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Se confirmada, esta operação significaria uma intervenção do Governo nos sindicatos, algo que não é feito no Brasil desde a ditadura militar. Tratar-se-ia, obviamente, de perseguição política à CUT e seus sindicatos. Somos contra qualquer tipo de perseguição a sindicatos ou entidades dos movimentos sociais, ainda mais se é direcionada a determinados setores que se opõem às políticas do atual Governo biônico. Há diversas centrais sindicais no Brasil, mas as informações direcionam a intervenção do Governo à CUT. Pelo que se depreende, por exemplo, os setores da Força Sindical que ajudaram a fomentar o golpe que levou ao poder o atual governo não seriam incomodados. Este seria o critério para a escolha dos possíveis alvos da suposta operação? Reafirmo que somos contra perseguições direcionadas ao movimento sindical. Recebam ou não imposto sindical. São os trabalhadores que gerem e deliberam sobre a destinação destes recursos em prol das lutas e campanhas em defesa de seus direitos e reivindicações e o órgão competente para inspecionar os sindicatos é o Ministério do Trabalho e não a Polícia Federal. Nós da APEOESP, sindicato filiado à CUT, não recebemos imposto sindical. A contribuição dos professores é voluntária, a entidade tem um funcionamento democrático e transparente ramificado em 93 subsedes e é supervisionada e auditada pelo Governo Estadual. Os recursos que recebemos são aplicados nas mobilizações da nossa categoria de acordo com os estatutos da entidade. Ocorre que o momento atual coloca ainda em maior evidência a luta sindical contra as medidas que vem sendo adotadas pelo Governo Temer contra os trabalhadores e contra a maioria da população brasileira. Os servidores públicos (bem como a população pobre) são diretamente atingidos pelos cortes de gastos previsto no Projeto de Emenda Constitucional 241 (cuja votação está prevista para segunda feira, 10/10; pelo sucateamento dos serviços públicos; terceirizações; congelamento de salários; cancelamento de concursos, convocações de concursados e contratações; pela redução de investimentos em educação e saúde; reforma da previdência; reforma do ensino médio (MP 746), entrega do pré-sal às multinacionais (já votada pela Câmara dos Deputados); e tantas outras medidas. A suposta operação que está sendo aventada teria, assim, o claríssimo propósito de ameaçar e intimidar o movimento sindical organizado na CUT para que não mobilize e organize os trabalhadores na luta contra os ataques e retrocessos promovidos pelo Governo biônico de Temer. Volto a dizer que se trataria de uma intervenção no movimento sindical, confirmando assim que vivemos já sob uma ditadura, oriunda da um golpe que articulou setores do parlamento, do empresariado, de órgãos policiais, do judiciário e da mídia. Resistiremos. Não vamos permitir que um governo autoritário e ilegítimo retire-nos o direito constitucional de organização, de expressão e de mobilização da classe trabalhadora pelos seus direitos. *Maria Izabel Azevedo Noronha, presidenta da APEOESP. Fonte: APEOESP […]

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