Não vamos nos calar: basta de volência nas escolas!

22/08/2017 at 16:20 17 comentários

A agressão de um estudante de 15 anos contra a professora Marcia Friggi, em plena sala da diretoria de uma escola pública em Santa Catarina, atingiu não apenas todas as professores e professoras, mas feriu profundamente a consciência de todos os cidadãos e cidadãs que compreendem a importância da educação para a construção de um futuro melhor para o nosso país.

Há anos a APEOESP, assim com a CNTE e os sindicatos de trabalhadores em educação, denuncia que a violência de estudantes contra professores vem crescendo a níveis alarmantes. A tal ponto, que a segurança nas escolas passou a ser a principal preocupação da comunidade escolar, de acordo com pesquisa realizada pela CNTE, em parceria com a APEOESP, em 2014, por meio do Instituto Data Popular, na qual foram ouvidos professores, pais e estudantes. Nesta pesquisa, 72% dos entrevistados disseram considerar a escola um local violento.

Esta pesquisa nacional mostra que 35% de toda a comunidade já presenciou agressões físicas dentro das escolas e que 40% já assistiram a ocorrência de agressões verbais. Outra pesquisa, de âmbito estadual, realizada pela APEOESP também por meio do Instituto Data Popular, em 2013, demonstra que 46% de professores e professoras haviam sofrido algum tipo de agressão dentro do espaço escolar..

O chocante caso da professora Marcia Friggi vem somar-se a tantos outros que ocorrem no cotidiano de nossas escolas, a maior parte deles jamais revelada para além dos muros escolares ou das salas de aula. Desrespeito, indisciplina, bulliyng, ameaças, são parte do dia a dia do magistério paulista e brasileiro.

O mais desesperador é que não vemos, por parte dos governos de uma forma geral, atitudes e políticas que contribuam para minimizar essa situação. Muito pelo contrário. Em São Paulo, conseguimos sensibilizar em determinado momento o Governo do Estado para a gravidade da situação e, em resposta, foi criada a figura do Professor Mediador Escolar e Comunitário.

Como muitas outras políticas públicas, entretanto, esta também foi vitimada pela compulsão dos governos do PSDB pelo corte de gastos e “racionalização” de despesas, que joga a educação e seus problemas sempre para segundo plano. Grande número de professores mediadores foram desligados desta função tão importante e o próprio programa foi reduzido no início de 2017. Um absurdo que levou a APEOESP a recorrer à Justiça para que fosse mantido o programa nas dimensões anteriores. Remetido ao Ministério Público Estadual, obteve parecer favorável, inclusive à emissão de liminar. O próprio Ministério Público também ajuizou ação contra o Estado para que seja revista a redução do programa.

Não vamos desistir

Nós, professoras e professoras, não vamos desistir do magistério. Não vamos desistir de lutar para tornar este país uma nação digna e justa por intermédio da educação pública, gratuita, laica, inclusiva, de qualidade para os filhos e filhas da classe trabalhadora. E este sentimento está expresso nas palavras da professora Marcia Friggi, quando diz “Acertaram meu olho, mas não vão me calar”. E, apesar de toda a dor, imediatamente denuncia: “Exerço uma das profissões mais dignas do mundo, por um salário miserável”.

Não temos, mesmo, o direito de nos calar. Dos governos o que queremos é que garantam as condições para o exercício da nossa profissão. Não queremos polícia nas escolas. Isto não resolve o problema. Queremos, sim, escolas adequadas, com projeto arquitetônico, equipamentos e projeto político-pedagógico que as tornem locais convidativos às crianças e jovens estudantes.

Queremos uma gestão democrática que assegure a participação dos professores, dos pais, dos funcionários e que incorpore a participação desses jovens, por meio dos grêmios, para que considerem a escola um espaço essencial para suas vidas.

Queremos a valorização do magistério, condições de trabalho e salários dignos. E liberdade para ensinar e aprender, como está inscrito na Constituição Federal.

Reduzir a violência nas escolas requer diálogo, respeito e profissionais capacitados em número suficiente. Queremos mais professores mediadores, mais funcionários (que, formados para tal, são também educadores) e o fim da terceirização desmedida nas nossas escolas.

Também sentimos a dor da professora Marcia, como sentimos a dor de todos os professores e professoras que vem sendo agredidos ao longo do tempo. Não vamos nos calar. Basta de violências nas escolas!

Maria Izabel Azevedo Noronha – Bebel
Presidenta da APEOESP

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Ser professor não é “bico”. É a mais importante profissão Por liminar conquistada pela APEOESP professores que participaram da greve de 28 a 31/3 tem frequência assegurada.

17 Comentários Add your own

  • 1. Lane silva  |  22/08/2017 às 18:00

    O maior problema e descaso para nós professores em ativa em sala de aula é que não recebemos nenhum respaldo. Eu mesma fui ameaçada de morte por um drogado traficante intitulado aluno, e entre as piores respostas que recebi foi da supervisora de ensino, assinada também pela dirigente regional de ensino, dizendo que o até o momento o referido aluno não havia feito nada que coubesse medidas da escola. Ou seja, vão esperar a agressão acontecer? Ele cumprir com a ameaça dele? E agora eu que sofro com problemas de saúde causados pelo trauma, medo, incerteza do que pode me acontecer dentro de uma escola já que não existe nenhum apoio, e ainda tenho que, além da terapia, viver tomando remédios psicotrópicos fortíssimos, coisa que talvez não teria chegado a essa consequência se quem está nesses cargos de confiança lembrassem que são professores, e não diretores ou supervisores, e nos apoiassem como deviam, e não apoiar esses marginais que vão para nossas escolas atrapalhar nosso trabalho e os alunos que ainda vão com o intuito de tentar aprender algo.

    Responder
    • 2. apeoesp  |  26/08/2017 às 12:54

      Prezada professora Lane,
      Sem dúvida nenhuma o governo do Estado tem grande responsabilidade pelo que ocorre. Agora, além de não tomar medidas efetivas para assegurar condições de trabalho e segurança aos professores e professoras, ainda reduz a mediação escolar, que ajuda a evitar muitos conflitos. Ingressamos com ação judicial e temos parecer favorável do ministério público para que o programa volte às dimensões anteriores.
      Bebel

      Responder
  • 3. ricardo  |  24/08/2017 às 17:56

    Presidenta,como podemos cobrar um concurso de remoção ?

    Responder
    • 4. apeoesp  |  26/08/2017 às 12:45

      Prezado professor Ricardo,
      Podemos, mas a SEE já disse que não irá realizar. E não temos base legal para uma ação, porque o Estatuto do Magistério foi alterado neste quesito.
      Bebel

      Responder
  • 5. Kátia Cilene Saccomani Colovatti  |  27/08/2017 às 03:38

    Boa noite Bebel!
    Será necessário novo julgamento do projeto pasta para recondução ou apenas aguardar a resposta da solicitação da apeoesp p todos q foram considerados satisfatórios? Nossa q coisa não!!! Parece uma novela…todos lá são comprados não é possível!!! Estava comemorando a vitória, mas enfim sou F …😨😰😢😱

    Responder
    • 6. apeoesp  |  02/09/2017 às 16:59

      Prezada professora Kátia,
      Também considerávamos que não haveria mais nenhum retrocesso, mas o governo encontrou um juiz e uma forma (irregular) de restringir a direito que foi adquirido. Não haverá novo julgamento, mas a análise e decisão sobre o recurso da APEOESP. Entretanto, em se tratando desta justiça, pode-se esperar também mudanças nos procedimentos.
      Bebel

      Responder
      • 7. Kátia Cilene Saccomani Colovatti  |  18/09/2017 às 12:07

        Bom dia! Que tipo de mudanças poderá ocorrer? E qto tempo a justiça tem pra retornar essa análise? Obg desde já.

      • 8. apeoesp  |  24/09/2017 às 15:40

        Prezada professora Kátia,
        A justiça não tem prazos definidos, infelizmente. A SEE lançou novo projeto de mediação. Vamos lutar para que reconduza todos neste novo projeto.
        Bebel

  • 9. Sonia Turato  |  01/09/2017 às 00:17

    Olá Bebel boa noite! Pedi minha aposentadoria, tenho 20 anos no estado e 11 a carteira, trabalhei em outros serviços, porem, trnho esse tempo registrado em carteira, mas de 11, 6 não consta que foi recolhido INSS. Será que é válido para contar o tempo Bebeu? Obrigada.

    Responder
    • 10. apeoesp  |  17/09/2017 às 21:16

      Prezada professora Sonia,
      Por favor, ligue para 11.33506214 ou procure o advogado na subsede para melhor informação e orientação.
      Bebel

      Responder
  • 11. Sonia Turato  |  01/09/2017 às 00:50

    Queria saber se posso pedir minha aposentadoria cpm 2 anos np estado e 11 de carteira, mas desses 11, 6 estão sem recolher no Inss, mas será que pra contar o tempo , como averbação vale? ESTÁ na carteira. Obrigada.

    Responder
    • 12. apeoesp  |  17/09/2017 às 21:14

      Prezada professora Sonia,
      Por favor, ligue para 11.3350.6214 ou procure o advogado na subsede para melhor informação e orientação.
      Bebel

      Responder
  • 13. Sônia Turato  |  02/09/2017 às 01:42

    Olá Bebel!
    Quero saber se posso me aposentar.Tenho 20 anos de escola e 11 de carteira, outro trabalho, mas desses 11, 6 não foram contribuídos, mais esse tempo consta na carteira, está assinado pelo empregador, mas não foi recolhido. Será que vale para averbar? Obrigada.

    Responder
    • 14. apeoesp  |  02/09/2017 às 15:37

      Prezada professora Sonia,
      A aposentadoria especial para professores conta somente o tempo no magistério. Para informação e orientação mais qualificadas, procure o departamento jurídico na subsede da região, na sede central ou ligue para 11.33506214.
      Bebel

      Responder
  • 15. Terezinha Almeida  |  29/09/2017 às 18:47

    Querem dar um basta na violência nas escolas, mas excluiem aulas de religião, que seriam essenciais para mudar o caminho dessas pessoas. Vai entender vocês! Rs..

    Responder
    • 16. apeoesp  |  30/09/2017 às 13:24

      Prezada professora Terezinha,
      Uma aula de religião poderia mudar o caminho de quais pessoas? Quem lhe disse que esses garotos que agridem professores não tem religião? O que uma coisa tem a ver com a outra? O que muda as pessoas é a sua formação e a conscientização de que vivem em sociedade, que é preciso solidariedade entre as pessoas e que a violência nada resolve. Cada um professa a religião que quiser. A escola não tem nada a ver com isso. O estado é laico e a escola tem que ser laica. Quantas guerras se fazem em nome da religião?
      Bebel

      Responder
      • 17. Terezinha Almeida  |  01/10/2017 às 00:31

        Bebel, nos meus quase sessenta anos bem vividos, posso lhe dizer que a religião em si, nada muda, mas o caminho que leva a Cristo muda e sempre mudará, querendo vocês ou não. Quando falamos em Cristo, em Deus, falamos independente de religião. Nós somos a igreja de Cristo. Eu e todos aqueles que crêem na palavra de Deus. Quem aprende que Jesus esteve aqui na terra (assim como aprendem história do Brasil e a história geral), que Ele veio para trazer a paz e que somente Ele foi santo e deixou a nós esse ensinamento, jamais sairá desse caminho, o caminho da paz. A atitude é que vale. Mas assim como a medicina aposta em seus “n” tratamentos para a cura de diversas doenças, nós, com certeza apostamos, e alto, que o caminho (Jesus Cristo), conduz ao caminho do bem e da paz e não há outro caminho. Nós, evangélicos e católicos, cremos que Jesus morreu por nós e nessa atitude deixou-nos o caminho a seguir: o caminho do bem. Outras religiões também tem como parte do ensinamento, o caminho do bem. Com certeza, devem se tornar conhecidas. Quando eu estava no primário, numa escola pública, tínhamos as aulas de religião. Assistia quem quisesse, era livre. Era bom? Excelente!! Devemos sim dar essa abertura, para que as escolas possam trazer esse ensinamento àquelas crianças, cujos pais não ensinam em casa, aliás, a violência começa em casa e vai para a escola. Por isso, a necessidade do aprendizado sobre o amor, sobre a amizade, sobre a cumplicidade de um ajudar o outro, sobre a existência de um caminho que jamais levará às drogas. Se há países em guerra por causa de suas religiões, com certeza sempre estiveram errados. Não é exemplo para ninguém. Sejamos o exemplo com nossas atitudes. Eu e Você, jamais chegaremos a um denominador comum, porque eu jamais abriria mão daquilo que aprendi com meus pais, na escola e hoje, passo aos meus filhos. E a vida segue. Que Cristo, o único que pode solucionar estas e outras questões, te ilumine no caminho que escolheu seguir. Um dia lembrarás das minhas palavras. Que sejam como ouro precioso em horas difíceis. Deus te oriente. Amém.

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