Combater a violência nas escolas exige verdade. E respeito também.

08/10/2017 at 17:59 Deixe um comentário

No dia 2 de outubro, segunda-feira, o Jornal Folha de S. Paulo publicou artigo de minha autoria, intitulado “Por que estudantes agridem professores?”, no qual apresentei alguns números da recente pesquisa sobre violência nas escolas divulgada pela APEOESP, fiz críticas ao Governo do Estado pela redução do número de professores mediadores, manifestei a compreensão de que o novo programa de mediação anunciado pela SEE não amplia sua eficiência (pois transfere atribuições de mediação aos vice-diretores, que já possuem outras atribuições) e cobrei a recondução de professores mediadores determinada pela justiça em ação do sindicato relacionada aos chamados “projetos da pasta”.

Busquei também debater a atual situação de violência nas escolas, admitindo que ela não tem uma solução definitiva, mas que pode ser reduzida. Apontei que o programa de mediação escolar é uma forma de fazê-lo, mas também fiz uma análise que envolve muitos outros aspectos, que vão desde a falta de funcionários nas unidades escolares, passam pela desvalorização dos professores e envolve também a questão curricular e a gestão democrática,.

Ontem, sexta-feira, 6/10, fui surpreendida pela publicação no mesmo jornal Folha de São Paulo de um artigo do chefe de gabinete da Secretaria da Educação cujo título “Combate à violência exige verdade”, já denota a virulência com que substitui a falta de argumentos capazes de debater os dados da nossa pesquisa e os nossos posicionamentos a respeito do problema.

Sim, o combate à violência nas escolas exige verdade, mas exige respeito também. Quem ler o meu artigo não encontrará nele ataques pessoais. Fiz críticas e apontei dados. Sinto-me desrespeitada quando sou acusada de faltar com a verdade.

Não é preciso que eu diga que a situação é muito grave. A pesquisa que realizamos entre 1 e 11 de setembro mostra a percepção de professores, estudantes, pais e da população em geral de que a violência nas escolas aumentou. A reportagem da Folha de S.Paulo com a qual o sr.Levy tenta desqualificar-me, por eu tê-la citado em meu texto, tem como título “SP tem quase 2 professores agredidos ao dia; ataque vai de soco a cadeirada.” Ainda que o sr.Levy não queira admitir, a situação se agravou este ano, a partir do momento em que houve a redução do número de professores mediadores nas escolas.

Sim, podemos trocar farpas pela imprensa. Posso ser acusada de mentir, ou “faltar com a verdade”. O sr. Levy pode elencar todas as supostas maravilhas da gestão democrática na rede estadual de ensino e tentar nos convencer de que vice-diretores, que tem outras atribuições nas escolas, poderão cuidar da mediação escolar tão bem como professores focados exclusivamente nesta tarefa. Isto não mudará o fato de que professores vem sendo agredidos todos os dias nas escolas públicas estaduais e de que a frequência desses casos vem aumentando.

Enfrentar um problema, no sentido de resolvê-lo ou reduzi-lo requer, em primeiro lugar, o reconhecimento da sua existência e disposição para conhecer sua dimensão e complexidade. O senhor Chefe de Gabinete da Secretaria da Educação não demonstra em seu artigo a maturidade necessária para isto. Propus que a SEE ouça as vozes de todos os envolvidos neste problema. Ele não parece disposto a fazê-lo.

Nós queremos debater a violência nas escolas e queremos contribuir para a busca de caminhos para tratar deste grave problema, com verdade e responsabilidade. Mas também queremos ser respeitados, dentro e fora das escolas.

Maria Izabel Azevedo Noronha Bebel
Presidenta da APEOESP

Veja abaixo os links para os dois artigos:

http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2017/10/1923162-por-que-estudantes-agridem-professores.shtml

http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2017/10/1924760-combate-a-violencia-na-escola-exige-verdade.shtml

 

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